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Notícias do Mar

Economia do Mar

Texto José M. Rato

Fiscalização Pesqueira Em 2001 um antigo Ministro das Pescas, numa entrevista que concedeu a um jornal regional, afirmou a dado passo - “é difícil passar a mensagem de que ao insistirem na pesca, as pessoas estão a prejudicar o seu futuro”.

A fiscalização pesqueira não sabe como retirar as redes de emalhar em situação ilegal, com mais de 24 horas no fundo, ou não quer?

E

mbora a mensagem tivesse sido proferida por alguém qure possuía um profundo conhecimento do sector, em termos pessoais, discordei daquela opinião do ex-governante. Embarquei pela primeira vez como piloto de um arrastão de pesca do bacalhau, o “Fernando Lavrador”, tinha 24 anos de idade e a minha vida profissional que se pro-

longou por mais de quarenta anos, sempre esteve ligada à pesca e ou a actividades directamente ligadas à mesma, razão pela qual e ao contrário da afirmação daquele ex-governante de quem era amigo pessoal, como pescador profissional que era, continuava, como continuei e continuo a acreditar, que o futuro dos muitos habitantes que viviam e vivem ao longo da costa portuguesa, estava

Barco de pesca a levantar as redes ao largo da Carrapateira, na Costa Vicentina 2

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e está precisamente na pesca e em muitas das actividades ligadas à mesma. Como convidado, tive recentemente a possibilidade de embarcar num navio de investigação pesqueira que percorreu em dois períodos distintos (cerca de 1 mês + cerca de 15 dias) toda a costa continental portuguesa, desde Caminha a Vila Real de Santo António. Não só por experiência própria, como pelo muito que escutara de outras fontes sobre o que se estava a passar em termos de pesca profissional na costa portuguesa, o que me foi dado observar durante aqueles cerca de 45 dias, ultrapassou em muito tudo o que alguma vez imaginara. É um “fartar vilanagem” Deparei-me com um “Far West” sem lei e onde pelos vistos reina a impunidade!

Os pescadores e na necessidade de garantirem o sustento, seu e das famílias, não olham a meios e não percebem que com o seu procedimento estão a breve trecho a pôr em causa o seu futuro, e mais grave, o futuro dos seus descendentes. E se de algum modo posso perceber o procedimento dos pescadores, é para mim completamente inaceitável a “conivência” e não arranjo outro termo, das autoridades civís e militares perante tudo o que se continua a passar na costa continental portuguesa. Só me resta concluir, que afinal de contas, até parece que o antigo Ministro das Pescas tinha a razão pelo seu lado. Os problemas das infracções pesqueiras constituem uma situação vulgar, para não dizermos mesmo, muito vulgar. Sempre existiu e vem de longe, tradição de que os


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pescadores portugueses e falo por mim próprio, não se podem orgulhar. Já no século XV, reinava D. Afonso V, através de documentação que chegou aos nossos dias, nela se pode ler que aquele rei estava “muito preocupado com a diminuição do sável no rio Tejo, muito abundante no tempo do seu avô D. João e de seu pai”, atribuindo esta diminuição à pesca ilegal feita com “caniços e redes que tapavam completamente os rios, ribeiras e caudais e que matavam ou impediam a migração dos juvenis”; Promulgou uma “Carta Régia” que estabelecia regras de utilização daquelas áreas, “para que os peixes migrem livremente. Quem não cumprir será preso, açoitado na praça pública e sujeito a uma multa”. Sendo a pesca desde os primórdios da nacionalidade uma importante actividade eonómica e social no nosso país, a promulgação de leis que a regulamentavam continuou ao longo dos reinados que se seguiram ao de D. Afonso V. Refira-se que até um dos piores, senão o pior dos reis portugueses, D. Sebastião, promulgou importantes leis que regulamentavam a actividade dos navios portugueses da pesca do bacalha que actuavam nos mares da Terra Nova e acrescente-se, leis que tiveram êxito. Os regulamentos e as leis existiam, mas a pesca ilegal continuou. Com a data de 1867, existe documentação que refere uma queixa sobre os “perniciosos efeitos causados pelas redes de arrasto no rio Tejo e na baía de Cascais” , que deu azo à publicação em 5 de Fevereiro daquele ano, de uma Portaria do Governo Civil de Lisboa,

proibindo “mais uma vez o uso das redes de arrastar” naquelas áreas. As leis continuaram a não ser cumpridas e em 19 de Novembro de 1896 era apresentada uma nova queixa, denunciando “os barcos denominados muletas, empregues na pesca de arrasto, que continuavam a pescar junto à barra de Lisboa, não obedecendo às seis milhas prescritas pela lei”. Por estes poucos exemplos, apercebemo-nos de como a tradição vem de longe, tradição que infelizmente se prolongou até aos nossos dias. O relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) sobre o “Estado das Pescas e da Agricultura no Mundo”, publicado em Maio de 2014, refere a determinado passo que “a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada continua a ser uma séria ameaça para os ecossistemas marinhos e a ter um impacto negativo sobre os meios de subsistência, o abastecimento de alimentos e as economias locais.” Em Portugal, embora a pesca esteja devidamente regulamentada, a pesca ilegal e não declarada continua a ser uma realidade, com os consequentes male-

A plataforma continental é até aos 200 metros de profundidade e está toda ela ocupada com redes de emalhar fícios apontados no relatório da FAO Após 1974 a pesca longínqua e do alto mar quase desapareceu Após 1974, embora nem sempre defendendo, por um lado os interesses dos pes-

cadores e por outro lado os interesses dos portugueses em geral, os sucessivos governos foram promulgando leis que melhor ou pior pareciam querer colocar no bom caminho o sector pesqueiro português, sector que até aí estivera nas mãos de um restrito número de pessoas e armadores, na sua maioria

Durante 45 dias só uma vez vimos uma lancha de fiscalização junto à costa 2018 Junho 378

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A falta de fiscalização pesqueira é vulgar nos países do terceiro mundo protegidos e dirigidos com mão de ferro por uma destacada e tenebrosa figura da ditadura que governou Portugal antes de 1974. Assistiram-se então às justas lutas dos sindicatos em defesa dos interesses dos homens do mar, nem sempre e no meu entender da forma mais correcta; onde se misturou muita política partidára e interesses de ordem pessoal. Assistiram-se a constantes mudanças de governos, cada um deles com as suas próprias políticas para o sector, o que por vezes criou instabilidade.

Assistiram-se a guerras intestinas entre governantes e algumas empresas entretanto nacionalizadas estas com fortes ligações com o passado; Assistiram-se a transformações nas antigas agremiações do sector, que não estavam preparadas para as responsabilidades que lhes foram outorgadas, como foi o paradigmático caso da CRCB, com graves repercurssões na recuperação das empresas de pesca nacionalizadas. Na SEP e não só, mas também nas empresas nacionalizadas, continuavam

figuras com fortes ligações ao passado, que e embora nem todas, exerciam boicotes sempre que podiam. Assistiram-se a nomeações para cargos de responsabilidade de personagens ligadas aos partidos, que de pesca pouco ou nada sabiam, dificultando a vida daqueles que continuaram a lutar pela recuperação do sector e das empresas. E como se tudo isto não bastasse, assistiu-se à entrada nas empresas nacionalizadas de um grande número de militantes partidários que conjuntamente com os que já lá trabalhavam e que na manhã do dia 26 de Abril de 1974 se haviam transformado em “progressistas”, passando a defender a justa luta dos trabalhadores e implementando a estratégia do “quanto pior melhor”, para eles, claro. Não me vou esquecer do navio que já com 24 horas de viagem a caminho de Mauritânia, foi obrigado pela comissão de trabalhadores a regressar a Lisboa porque não tinham sido fornecidos escovas de dentes aos tripulantes e os beliches não

Com a Extenção da Plataforma Continental Portuguesa torna-se fundamental uma eficiente fiscalização pesqueira 4

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tinham cortinas. Com o aglomerar de todas as situações descritas, poucos anos foram precisos para que a pesca longínqua e do alto mar quase desaparecessem e dizemos quase, porque felizmente alguns armadores continuaram a lutar e não desistiram dos seus objectivos, principalmente em Aveiro, conseguindo manter-se activos e dar continuidade a uma actividade com longas tradições no sector pesqueiro português. Sobreviveu a pesca costeira. Muitas explicações foram e continuam a ser dadas para o quase desaparecimento da pesca longínqua e do alto mar, algumas delas bem fundamentadas e verdadeiras. Mas poderá perguntar-se, o que é que isto tem a ver com a situação que no momento se vive no sector da pesca costeira? Em minha modesta opinião, tem e muito. Não nos podemos esquecer que aquelas actividades de pesca absorviam um enorme número de elementos das comunidades pesqueiras, que quase de um momento para o outro se viram sem emprego e não sabendo fazer mais nada senão pescar, para sobreviverem, eles e as famílias, sobrecarregaram em termos dramáticos a pesca costeira. E nesse caso específico, quanto maior é a concorrência, maior será o caos! A fiscalização pesqueira civil e militar falharam A partir de 1974, melhores ou piores, as leis regulamentando a actividade da pesca foram aparecendo ou foram sendo modificadas, mas para que as mesmas pudessem ter sido efectivamente


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aplicadas e cumpridas, exigia-se a existência de uma efectica fiscalização civil e militar e essas, por muito que custe dizê-lo, falharam e mais grave continuam a falhar. Os pescadores e um grande número de pessoas e empresas que gravitam à volta do sector pesqueiro, perceberam e percebem a falta de fiscalização e os abusos aumentaram, quer no mar, quer em terra. Portugal tinha e tem a obrigação de encarar muito seriamente estas questões, mas tomando em consideração algumas declarações públicas da Administração Pesqueira, as perspectivas não eram e parecem não ser as melhores. Falta fiscalização no mar devido a “estrangulamentos orçamentais” que impossibilitam a Marinha e a Força Aérea de actuarem com eficácia (falta de combustível para navios e aviões) e a falta de inspectores na Inspecção-Geral das Pescas que possam levar a cabo uma eficiente fiscalização nas lotas, portos e circuitos comerciais, são as razões, insistimos publicamente invocadas pelas Autoridades. A soberania de um Estado estende-se para além do seu território e das suas águas interiores. À zona de mar adjacente às suas costas e que se estende até uma distância de 12 milhas, dá-se o nome de Mar Territorial, zona indispensável à legítima protecção dos interesses de cada Estado e considera-se como fazendo parte do território nacional, reservando aos seus nacionais o direito exclusivo de pesca (em Portugal nem sempre assim aconteceu – em tempos passados, por exemplo às “lagostoreiras” francesas.foi permitida a pesca por fora das 3 milhas

Navio da Armada nos Açores, numa missão de fiscalização a uma frota espanhola com 68 barcos à pesca do atum

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Cercadores espanhóis na pesca do atum que fazem todos os anos nas águas dos Açores e aos arrastões espanhóis era permitida a pesca para fora das 6 milhas) Se é verdade que a adesão à EU em termos de pesca trouxe vantagens a Portugal, não é menos verdade que também trouxe desvantagens, entre outras, a obrigatoriedade da abertura das águas nacionais a frotas estrangeiras. Com a implementação a nível internacional da lei das 200 milhas, a denominada “Zona Exclusiva Económica” (ZEE) adjacente ao Mar Territorial, os Estados ribeirinhos passaram a ter direitos jurisdicionais sobre a pros-

pecção, exploração, conservação e gestão dos recursos naturais das suas águas, do fundo do mar e do subsolo marítimo. Internacionalmente são reconhecidos os direitos de todos os países sobre as águas do seu Mar Territorial e da sua ZEE, permitindolhes a utilização dos meios adequados à sua protecção. Nessa perspectiva, tornase necessário aos Estados a fiscalização das suas águas, vigiiando e controlando as operações que nelas se praticam, detendo e multando os infractores, quer eles sejam nacionais ou estrangei-

Nos Açores elementos da Polícia Marítima na abordagem de um barco de pesca espanhol 6

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ros. As acções de fiscalização abrangem, aspectos aduaneiros e de antipoluição e no caso específico do sector pesqueiro, a fiscalização da pesca é determinante. A fiscalização pesqueira engloba a vigilância do cumprimento das leis relativas a esta actividade. No mar, o controlo das áreas de actividade de pesca, recursos pesqueiros, a utilização indevida de artes de pesca, suas dimensões e respectivoss pertences, distâncias entre artes, sinalização, e períodos durante os quais estão fundeadas,etc. Em terra, os aspectos relativos à comercialização, qualidade do pescado, lotas e outras mais. Durante o cumprimento do serviço militar, estive durante cerca de um ano e meio embarcado como oficial imediato de uma lancha de fiscalização e não posso esquecer do que me dizia um ex-Chefe do Estado-Maior da Armada, na altura 1º Tenente a prestar serviço na Capitania do Porto de Faro, enaltecendo a estratégia em termos de fiscalização pes-

queira do Comandante do navio em que eu estava embarcado - “o mais importante na fiscalização não é aprisionarem os arrastões espanhóis que vocês constantemente trazem para Faro a fim de serem julgados, mas sim a vossa presença constantemente no mar, dia e noite, agindo como elemento de dissuação” - naquela altura não se punham problemas com consumos de combustível. E é este aspecto, a dissuação, que continua a ser muito importante em termos de fiscalização – a presença constante quer de noite, quer de dia, de navios da Armada, ao longo da costa, e nas águas da ZEE, o que, infelizmente, não acontece. Em defesa dos seus próprios interesse e dos seus recursos pesqueiros, por mais que se legisle, qualquer país que queira fazer cumprir as leis, se não possuir uma fiscalização eficiente e de qualidade, é o mesmo que dizer que aquelas se tornarão absoletas e as suas águas e os seus recursos ficarão desprotegidas e à mercê de quem nelas a seu belo prazer queira actuar, e nesse âmbito, tão prejudiciais são os estrangeiros como os nacionais. Possuir uma boa legislação é indispensável, mas não ser capaz de a fazer cumprir é mais grave, diremos mesmo de uma enorme irresponsabilidade. È verdade que foram constrídos diversos navios para fiscalização, mas que interessa isso, se depois não existe o combustível para os mesmos poderem actuar com a eficácia necessária e será que fique muito bem claro, que jamais ponho em causa a competência dos homens e mulheres da Armada para levarem a cabo essas missões.


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Barco de pesca espanhol que se encontrava dentro das 200 milhas náuticas Dêem-lhes meios e não tenho muitas dúvidas de que a fiscalização passará a ser efectuada com eficácia.

(Organização do Povo do Sudoeste Africano) como representante oficial da Namíbia, a administração do território continuou a partir de 1985, com o apoio da SWAPO, nas mãos da República da Àfrica do Sul. Após a luta de libertação conduzida pela SWAPO, a Nabímia ganhou a independência em 21 de Março de 1990. Embora a indústria mineira (diamantes, ouro, urânio e prata), a agricultura e o turismo sempre tenham sido e continuem a ser a base da economia do país, já em

Fotografia: João Noiva

A Falta de fiscalização é vulgar nos países do terceiro mundo A falta de fiscalização pesqueira é vulgar nos países ditos do terceiro mundo e neste quadro Portugal continua a poder juntar-se a muitos deles, embora nem a todos. Não podemos deixar de

referir a Namíbia, um país considerado do terceiro mundo, como um exemplo contrário ao que normalmente acontece naqueles. Protectorado alemão a partir de 1845, após o final da 1ª guerra mundial, em 1920, a Liga das Nações transferiu a administração do território para a União Sul Africana. Embora em 1973, a ONU face às pressões internacionais, por causa da política do “apartheid”, tenha assumido a responsabilidade directa do território nabimiano e reconhecido a SWAPO

O navio de investigação Noruega do IPMA, durante três dias tentou cumprir os arrastos sem êxito, porque as redes se encontravam nos mesmos locais 8

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1985 a SWAPO tinha percebido a importância que o sector pesqueiro poderia vir a desempenhar no futuro. Durante a administração da África do Sul e até aos primeiros anos da década de oitenta do século passado, as águas da Namíbia para fora das 12 milhas (e muitas vezes para dentro) e o enorme recurso de pescada (Merluccius capensis, Costeinau 1861) existente nas mesmas, estiveram totalmente a saque por parte das frotas pesqueiras internacionais, nomeadamente da enorme frota da União Soviética, à qual se juntavam a frota espanhola, portuguesa e de outras nações. Pescava-se onde se queria, como se queria, incluindo a utilização de malhagens totalmente ilegais e sei daquilo que estou a falar, pois alí exerci a minha actividade durante alguns anos. Savo alguns aviões que por vezes sobrevoavam os navios a fiscalização por parte da Africa do Sul era inexestente. O resultado foi o desaparecimento da pescada e a partir dos anos oitenta grande parte dos arrastões abandonaram aquelas águas. Após a independência, os dirigentes nabibianos pensaram como recuperar o recurso e para o efeito criaram legislação proibindo totalmente a pesca da pescada quer a nacionais, quer a estrangeiros. Mas não se limitaram a legislar. Mandaram construir navios de fiscalização, que com o apoio da Força Aérea passaram a controlar rigorosamente, noite e dia, as águas do país. Que o diga o armador espanhol que viu o seu moderno arrastão ser aprisionado durante a viagem de estreia, quando o capitão resolveu pescar em águas namibia-


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nas. O arrastão foi aprisionado, o capitão julgado e o armador punido com uma multa de tal ordem, que para a pagar preferiu entregar o navio às autoridades locais. Com o apoio de técnicos nacionais e estrangeiros, a recuperação do recurso foi sendo rigorosamente controlado e estudado, e a Namíbia já vende actualmente quotas de pesca, que virão certamente a constituir um importante factor na captação de divisas em termos de futuro. E tudo isto só foi possível,com a contribuição de uma eficiente fiscalização pesqueira. E em Portugal como é? Pode dizer-se sem grande exagero, que actualmente a plataforma continental, ou seja, até aos 200 metros de profundidade, está praticamente, toda ela, ocupada com redes de emalhar. Passando pelos apetrechos de localização, na maior parte ilegais, as distâncias entre as artes, a ultrapassagem dos períodos de tempo durante as quais podem estar fundeadas e até a sua localização em relação à costa, ou em locais onde não são permitidas, toda a actividade de pesca desta arte não cumpre minimamente o estabelecido

pela lei. E não me podem acusar de estar a “falar de borla”. Ou será mentira, que durante a viagem que referi no início do artigo, não vi: - Redes de emalhar normalmente sinalizadas com garrafas de plástico, sem identificação. - Redes de emalhar fundeadas praticamente em cima umas das outras, não cumprindo a distância mínima entre elas, conforme determina a lei; - Na costa entre Viana do Castelo e Aveiro, o navio onde andava embarcado, por várias vezes se viu impedido de realizar as estações de arrasto englobadas no programa de avaliação de recursos, porque as áreas estavam completamente invadidas por redes de emalhar; - Que durante 3 dias se tentou cumprir os arrastos em falta, sem êxito, porque as redes se encontravam nos mesmos locais e sem serem aladas, ultrapassando o período de 24 horas como tempo máximo de permanência na água; - Redes de emalhar nas mesmas condições, a sul do Bugio, na Costa Vicentina ou em várias áreas na costa sul do Algarve; - Que ao longo dos dois períodos referidos (1 mês + 15 dias) só uma vez vimos uma

Pescadores de palangre de Sagres a iscarem

A arte das redes de emalhar de fundo rejeita cerca de 49% de peixes em 24 horas, em dois ou três dias chegam a 60 % e 80% lancha de fiscalização junto à costa, rumo a norte, perto da Arrifana; - Que ao contrário do que aconteceu com a fiscalização portuguesa, durante aqueles períodos, assim que o navio em que estava embarcado, se aproximou das águas de Espanha, em frente de Vila Real de Santo António, imediatamente foi

controlado por duas pequenas embarcações espanholas de fiscalização; Ou será mentira, que já por diversas vezes e ao longo de dois anos, não vi: - Redes de emalhar fundeadas ao longo da costa a norte do Cabo Raso, incluindo as fundeadas junto às Pedras das Mesas no Cabo da Roca,

Como há poucos locais livres para a arte do palangre, os pescadores desta arte desistem e passam a meter redes de emalhar de fundo

Lavagante capturado numa rede de emalhar de fundo, depois de atraido por peixe podre preso na rede 2018 Junho 378

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Em Sagres não há guinchos para a pesca artesanal e o peixe é descarregado à mão mesmo em cima de terra; - Embarcações de pesca a alarem artes nas “lanes” ao largo do Cabo da Roca, no baixio de Camões; - Por diversas vezes e naquela mesma área, artes de pesca sinalizadas com garrafas de plástico e sem identificação; A fiscalização pesqueira

não sabe como retirar as redes de emalhar em situação ilegal ou não quer? Os estudos efectuados pela Universidade do Algarve, concluiram que a rejeição do número de peixes capturados durante as primeiras 24 horas de uma rede de emalhar fundeada, chega a

As bóias deviam estar equipadas de modo a saber-se onde estão 10

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49%; por espécies, nomeadamente da azevia, besugo e bica, as rejeições atingem os 26%, 40% e 45% respectivamente. Considerando que as redes só pescaram 24 horas, estas percentagens de rejeição, preocupantes, já deveriam obrigar a pensar, mas se então o período se prolongar, por mais dois ou três dias, as rejeição sobem para valores entre 60% e 80%, valores que deveriam obrigar as autoridades a olhar muito seriamente para a questão, não “olhando para o lado”, como se nada disto acontecesse. Como é possível acontecer um caso de que recentemente este jornal tomou conhecimento, uma embarcação de redes de emalhar ter apresentado para venda em lota somente caixas com pargos e duas caixas com lavagantes e lagostas e ninguém lhes ter perguntado pelo resto das capturas? Para terem apresentado para venda duas caixas de custáceos é porque as redes tiveram de certeza absoluta a pescar mais de 24 horas sem serem aladas e muito possivelmente e para além dos pargos, tudo o resto foi para a tulha Não me venham com desculpas de que não existem verbas para combustível dos navios da fiscalização, ou que os mesmos não possuem aladores apropriados (se não têm, deviam ter) que permitam retirar da água as artes de pesca que não cumprem o estabelecido por lei, argumentos dos quais se serviu o senhor Chefe do Estado-Maior da Armada a uma pergunta deste jornal. Se não têm verbas para o efeito, obriguem o governo a disponibilizá-las, da mesma maneira que conseguiram obter as “escandalosas” e “obscenas” verbas necessá-

rias para a compra dos submarinos, negócio ainda por explicar ao povo português e onde pelos vistos só houve corrupção do lado dos vendedores. Na altura e será bom não esquecer, o então Ministro da Defesa, “enorme” especialista em submarinos, entre os argumentos utilizados para explicar a necessidade da de adquirir “os ditos cujos” invocou os benefícios que os mesmos trariam à fiscalização pesqueira. O importante mesmo, era comprar os submarinos! E o que dizer de um elemento da Autoridade Marítima, que a uma pergunta deste jornal, de “como é que ele controlava a permanência na água das redes de emalhar”, respondeu que o fazia através de telefonemas para os armadores? É tempo, de uma vez por todas, de deixarem de arranjar desculpas e cumprirem as vossas obrigações, porque é para isso que os portugueses, com enormes sacrifícios, pagam impostos. Portugal abriu um processo no sentido e muito bem, de alargar a sua ZEE. Mas pergunto? Se não existe fiscalização capaz de controlar minimamente o que já existe, como é que vai ser quando o alargamento passar a ser uma realidade. Como é habitual, “logo se verá”! Finalmente e no que respeita à Administração Pesqueira, não será tempo de começar a estudar a sério alternativas às actuais artes de pesca, altamente predadoras, nem que para isso haja que recorrer aos famigerados “subsídios”, tão do agrado dos pescadores, armadores e não só? Embora já reformado, é uma sugestão de quem continua a acreditar na pesca como meio de vida!


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Náutica

YAMAHA EXPERIENCE em Cascais

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Yamaha Promove Iniciação em Cascais

Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, na inauguração do Yamaha Experience A Yamaha organizou na Marina de Cascais entre os dias 18 a 20 de Maio, mais um evento de iniciação dirigido ao público, o YAMAHA EXPERIENCE CASCAIS, aproveitando bem o bom tempo e excelentes condições de mar, foi um êxito de promoção Yamaha e dos seus parceiros, construtores e importadores de barcos, com embarcações na água para quem quisesse testar.

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Área de exposição de motos de água Yamaha e semi-rigidos Yam 12

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urante três dias decorreu na Marina de Cascais um pequeno Salão Náutico organizado pela Yamaha. Houve uma larga exposição de barcos e ainda a oportunidade de iniciar muitas pessoas na náutica de recreio, que tinham à sua disposição para experimentar, os modelos mais recentes de várias marcas, como Capelli, Cap Ferret, Cobalt, Dipol, Glastron Jeanneau, Obe, Riamar, Sirius, Sunchaser, Zodiac e ainda os novos Yan semi-rígidos de casco em alumínio. Para além dos barcos, onde durante os dias do YAMAHA EXPERIENCE,


Náutica

centenas de pessoas navegaram, a Yamaha colocou à disposição dos jovens, diversos motos de água Yamaha para experimentarem, que foi outro êxito, pois faziam fila os interessados inscritos para o teste. Parte dos barcos que estavam em exposição em terra e no mar em Cascais já testámos e fizemos a sua publicação no Notícias do Mar. Não tínhamos ainda erxperimentado os YAM nem o novo modelo Riamar 620 Open. Aproveitámos a ocasião e saímos com os barcos. Novos YAM Semi-Rígidos de Casco em Alumínio com Yamaha F6CMHS e Yamaha F9.9JMHS Os novos modelos são 240 TA, 270 TA, 310 TA e o 310 Taf, de comprimentos dos 2,40 aos 3,10 metros. O modelo Têm como carcterísticas o casco em V e fundo antiderrapante e o modelo 310 TAf apresenta o fundo plano. Dentro de água para se testarem, estavam os modelos YAM 310 TAf, motorizado com um Yamaha F9.9JMHS e o YAM 270TA  motorizado com F6CMHS Aproveitámos também para testarmos estes dois barcos para apoio e diversão. Em ambos sentimos segurança, tanto parados como em andamento, tendo conseguido acelerar até à rotação máxima dos motores No YAM 270 TA atigimos 16.8 nós de velocidade máxima Quanto ao YAM 310 Taf fizemos 20,8 nós no máximo de velocidade

Zona de exposição de embarcações

Semi-Rígido YAM 310 TAf com Yamaha F9.9JMHS

Semi-Rígido YAM 270TA com Yamaha F6CMHS 2018 Junho 378

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Náutica

Riamar 620 Open com Yamaha F130 Riamar 620 Open com Yamaha F130 Riamar é o mais antigo estaleiro português de embarcações de recreio ainda a funcionar, com mais de 50 anos de actividade. Dentro de água para ser

testado estava o novo modelo Riamar 620 Open com 6,22 metros de comprimento. Trata-se de um barco de características polivalentes e projectado para interessar bem os praticantes da pesca lúdica embarcada, permitin-

Cobalt 25SC com Yamaha F300B

Dipol P680 Sport Fishing 14

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do ser equipado com uma série de acessórios, como T-Top, viveiro de isco vivo e porta canas, para nada faltar aos pescadores, nas suas jornadas de pesca. O Riamar 620 open tem uma consola de condução a meio com um pára-brisas em vidro acrílico, um banco duplo para o piloto e um banco corrido à popa. À frente dispõe de assentos estofados. Para os pescadores o barco dispõe de porta canas na borda, transportadores de canas no interior do poço e uma enorme caixa amovível sob o banco da popa, para funcionar como geleira ou transportar o peixe, e fácil de se lavar no final. O casco deste modelo é o casco clássico Riamar, com um V bastante pronunciado e a proa com um perfil de-

flector, incorporando um pequeno púlpito com uma roldana para o cabo do ferro. O casco tem planos de estabilidade laterais salientes à popa e robaletes. Equipado com o poderoso Yamaha F130 e como as características do casco à popa são de fácil planeio, quando arrancáamos, em apenas 1,32 segundos já planavamos. Confirmámos depois esta qualidade do casco, quando no teste de velocidade mínima a planar, o barco manteve-se apenas nos 9 nós. Numa zona mais calma da baía, quando acelerámos no máximo, atingimos 38 nós às 6200 rpm, com o casco a cortar a água sem dificuldade e com o barco direito. A navegar contra o vento e a agitação da água, o Riamar 620 Open mostrou um enorme conforto, sem bater e atingindo a velociade de 30 nós com segurança. Como o casco tem o V muito pronunciado até dois terços, o barco curvou apertado a 26 nós com o motor sem nunca cavitar. Em velocidade de cruzeiro, navegámos a 22/23 nós às 4000 rpm, um boa velocidade com o mínimo de consumo. Em conclusão, o Riamar 620 Open é um barco bem adequado à pesca costeira, rápido, seguro e muito confortável.

Para experimentarem as motos de água Yamaha os jovens faziam fila


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Náutica

Testes Zodiac N-ZO 680 com motor Suzuki DF200 e Cranchi Z35 com 2 x Volvo Penta D4-260

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Um Dia Náutico Pleno com Barcos Completos Com um catamaran Bali 4.0 a fazer de base, testámos no passado dia 26 de Março, em Portimão, o Zodiac N-ZO 680 com motor Suzuki DF200 e o Cranchi Z35 com 2x Volvo Penta D4-260, a convite da Portinauta, do Grupo Angel Pilot, concessionário da Suzuki e da Zodiac e importador exclusivo do estaleiro italiano Cranchi.

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O motor Suzuki DF200A estava montado no Zodiac N-ZO 680 16

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abitualmente os testes que realizamos em Portimão, organizados pelo Grupo Angel Pilot, têm como ponto de apoio a Marina de Portimão, de onde partimos e chegamos com os barcos depois dos ensaios. Desta vez tivemos o apoio sempre no mar, a bordo do “Beatrice” um catamaran Bali 4.0, do Grupo Angel Pilot a operar em marítimoturística, que nos permitiu usufruir do prazer de navegar à vela numa requintada embarcação que nos proporcionou um extraordinário dia náutico e a oportunidade de testarmos duas em-


Náutica

O Zodiac N-ZO 680 é um projecto do designer italiano Vittorio Garroni

Zodiac N-ZO 680 barcações de recreio para mercados diferentes e muito completas de equipamento, para oferecerem a máxima satisfação aos clientes. Zodiac N-ZO 680 Conforto ergonomia e design, são as principais características desta moderna gama N-ZO da Zodiac, composta actualmente por cinco modelos, o primeiro dos quais foi o celebre N-ZO 700 Cabin, lançado em 2011 projecto do conhecido designer italiano Vittorio Garroni que resultou num extraordinário pequeno cruzeiro semi-rígido. Foi devido ao sucesso do N-ZO 700 Cabin, que a Zodiac recorreu novamente ao talento do designer italiano para projectar os barcos da restante gama com linhas

exclusivas. Quanto à produção, estes novos barcos também foram produzidos de acordo com especificações técnicas específicas para atender aos requisitos mais exigentes dos navegadores de recreio, principalmente que sejam barcos seguros e confortáveis. Pode-se dizer que foi brilhante a associação de Vittorio Garroni com a experiência da Zodiac, líder mundial

em construção de barcos insufláveis, pois estas quatro novas embarcações N-ZO aproveitam os benefícios de muitas inovações da Zodiac, bem incorporadas ao design do casco e do convés. A segurança fornecida por um barco semi-rígido está bem estabelecida. O N-ZO 680, com 6,80 metros de comprimento, tem igualmente o casco em V profundo, que oferece con-

forto a navegar, segurança e excelente condução. A inovadora estrutura especial do casco encaixa perfeitamente nos dois tubos, construídos em tecido Hypalon/Neoprene de 1670 decitex, amovíveis para gararntir fácil assistência e reparação, sem necessidade de transportar o barco. Esta é a característica introduzida na linha N-ZO e há muitos anos utilizada na gama

Mesa à popa para refeições 2018 Junho 378

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Náutica

À proa os tubos encaixam na perfeição na coberta Pro. O resultado final é uma embarcação em fibra onde se encaixaram na perfeição dois tubos entre o casco e a coberta, aumentando

no máximo a segurança e transformando o barco em semi-rígido. Para ser compartilhado com os amigos e a família, foi dada especial atenção ao

Banco e assentos à frente que se convertem em solário 18

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conforto dos passageiros, tanto quando o barco está a navegar como parado nos piqueniques ou mergulhos, facilitando a movimentação segura a bordo. A consola de condução, com um pára-brisas com corrimão em aço inox com painel elétrico, fica encostada a estibordo, deixando uma passagem larga do poço para a frente. O piloto tem um banco alto duplo, para condução sentado ou em pé. À frente da consola existe um banco e junto à proa almofadas para assentos. Todo este espaço à frente pode-se converter num amplo solário de proa “Reverse & Sun” para os banhos de sol. O poço com um banco em U é a área de convívio e de acesso à plataforma de popa com escada de banhos telescópica. Na hora dos piqueniques ou bebidas,

pode-se levantar uma mesa em madeira que está nas costas do banco do piloto. O casco do N-ZO 680


Náutica

comporta as características especiais dos cascos da gama, com um V profundo que termina um ângulo de popa com 22 graus e com planos de estabilidade laterais muito salientes e quase túnel à popa. Com este casco toda a água é bem afastada para fora e longe, não molhando o interor. Notável é a zona da proa que é em fibra e tem uma ponteira com os tubos por dentro. Deste modo o barco tem aí a roldana, o descanso para o ferro e um guincho eléctrico. Para os praticantes dos desportos aquáticos, o barco tem na popa um arco de ski. Mais equipamento Zodiac: Direção hidráulica - Luzes de navegação - Bomba de fundo - Luz de cortesia - Bomba de enchimento - Suportes para copos – Cunhos - Filtro de combustível - Montagem cl. 5 inc. cabos, pré-filtros e bateria - Lowrance Elite 7 e Transdutor downscan - Carta C-Map Península Ibérica e Norte África - Caixa de co-

mandos de topo - Manómetro MGF - Painel de controle Um luxo a navegar Quando se associa o requinte da ergonomia no interior do Zodiac N-ZO 680, oferecido pelos cómodos bancos e assentos estofados com o desempenho do casco especial que brinda os passageiros com uma navegação de elevado conforto, concluímos que fizemos uma navegação de luxo, num barco com apenas 6,80 metros de comprimento. Mas foi só a comodidade que sentimos a navegar, este conjunto com o motor Suzuki DF200, com o hélice adequado montado, atingiu excelentes performances. Logo no arranque em 1,59 segundos estávamos a planar, resultado não só do potente Suzuki de 200 HP, mas também pelas caracteristicas do casco à popa, a soltar-se bem da água, registo que confirmámos a seguir no teste de velocidade mínima a planar, pois o N-ZO 680 às 2.800 rpm a 9

Casco especial, com um V profundo e ângulo de popa de 22 graus 2018 Junho 378

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Náutica

Desempenho a navegar com elevado conforto e segurança

Suzuki DF200A

O

motor Suzuki de 200 HP com bloco de quatro cilindros em linha e uma capacidade de 2.867cm3 resultou de décadas de experiência na construção de motores fora de borda potentes, compactos e fiáveis. Estas características únicas fazem do DF200 uma referência em termos de relação peso/potência e de dimensões, pois face a um tradicional V6, este bloco ‘big block’ apresenta um peso de apenas 226 kg, uma poupança de 12% face ao anterior DF200ATL. Menos cilindros equivalem também a menor consumo de combustível (menos 19% face ao V6 que substitui) e emissões contidas, graças ainda à exclusiva tecnologia ‘Lean Burn’ que garante um controlo perfeito da relação ar/ combustível, sem prejuízo das prestações, pois com uma taxa de compressão de 10,2:1 este motor revela excelente capacidade de aceleração, resultado de um elevado binário em baixa e média rotação, e ainda de uma relação de transmissão total de 2.50:1. O DF200A foi o primeiro motor com este nível de potência a permitir selecionar o sentido de rotação do hélice, um aspecto muito importante caso seja utilizado em conjunto com mais unidades, e também um controlo remoto de precisão que utiliza a tecnologia digital ‘fly-by-wire’. A não utilização de cabos e ligações mecânicas permite maior precisão no controlo das principais funções do motor.

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nós ainda planava. Fizemos o teste de aceleração até às 5000 rpm, rotação que normalmente atinge a velocidade desejado pelos esquiadores para arrancarem. E não foi nenhuma surpresa o resultado, porque já esperávamos um rápido arranque com este conjunto. De facto em apenas 4,31 segundos o barco atingiu a velocidade de 17,8 nós. No teste de velocidade de ponta, levámos o motor até às 6000 rpm, e o N-ZO 680 atingiu. 36,3 nós. Para viagens longas de várias milhas, em que interessa mais a economia no consumo, verificámos que o Zodiac N-ZO 680, às 4000 rpm a velocidade de cruzei-

ro foi de 20/22 nós. Cranchi Z35 O estaleiro italiano Cranchi, que existe desde 1870 e foi dos primeios a construir embarcações em poliester reforçado com fibra de vidro, domina hoje, ao fim de tantos anos, com uma vasta experiência, as mais sofisticadas tecnologias de PRFV na construção dos grandes iates. Cranchi é hoje uma marca do maior prestígio, porque as embarcações que ao longo dos anos tem construído, são reconhecidas como de excelente design, elevado nível de construção e alto desempenho. Actualmente a Cranchi

Poço e posto de comando projectados com bastante ergonomia.


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Náutica

Cranchi Z35

Em velocidade de cruzeiro de 19/20 nós o motor manteve-se às 2500 rpm 22

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constroi oito gamas, com embarcações de características e dimensões diferentes, com as quais responde a um amplo mercado que quer pequenos, médios e grandes iates para as férias náuticas, desde os 7,70 metros aos 18,50 metros de comprimento. O Cranchi Z35 com 11,70 metros de comprimento pertence à gama Cruiser e é um tradicional sportscruiser com arco de radar que oferece um cockpit aberto e desafogado, banhado pelo sol, motores diesel duplos e duas amplas cabines na coberta inferior. O Cranchi Z35 é uma embarcação com os espa-


Náutica

ços muito bem organizados e está equipada para nada faltar num cruzeiro de férias, oferecendo uma requintada e confortável acomodação em toda a coberta superior,

com revestimentos em teka, formando um salão que inclui o poço e o posto de comando. A entrada é por estibordo pela plataforma de popa, toda revestida em teka, onde se encontra um chuveiro de água doce. Junto fica um banco em U com uma mesa de madeira de teka transformável em solário, com almofada. Para apoio às refeições e às bebidas existe um armário cozinha/bar a estibordo atrás do banco do piloto, com frigorífico, grelhador eléctrico e lavatório. O piloto tem o seu ergonómico posto de comando a estibordo, com um banco duplo e um espantoso painel de instrumentos, onde nada falta. Tem ainda bússula, multi-instrumento DTS integrado, GPS chartplotter a cores, piloto automático e VHF DSC Garmin e Trip computer. Existe um rádio Fusion com comando no cockpit e upgrade com colunas à proa e subwoofer A bombordo do posto de comando encontra-se um confortável banco em L. A entrada para a coberta inferior fica ao centro com a porta em vidro acrílico em L e foi bem pensada para facilitar descer e subir quatro degraus. A porta ao abrir corre atrás do posto de comando. Devemos realçar que toda

O salão inclui o poço e o posto de comando

Posto de comando ergonómico

Entrada para a cabina a coberta inferior tem imensa luminosidade, graças às largas janelas laterais que tem no casco, para além das vigias, comporta um ar condicionado com bomba de calor e todo o pavimento tem tratamento contra riscos e bolor. Em baixo fica um salão com mesa para refeições em madeira de teka que é

dobrável e uma cozinha, dois quartos e uma casa de banhos, com o mobiliário e portas em madeira e os estofos e as cortinas em tons creme, numa associação de muito bom gosto estético. A cozinha tem um fogão com duas bocas, lavatório, um frigorífico de 65 litros e um esquentador elétrico de 25 litros.

Lavatório e grelhador eléctrico 2018 Junho 378

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Náutica

O Cranchi Z35 é um sportcruiser com arco de radar

A curvar o Cranchi Z35 é muito seguro

Banco à popa com mesa ao meio 24

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Para dormir existe um quarto à proa com uma ampla cama de casal e armários para arrumação de roupas. Sob o cockpit encontra-se outro quarto com cama de casal. O quarto de banho apresenta uma decoração moderna e está bem completo com sanita, lavatório e duche. Para os banhos de sol, existe um solário que se monta sobre o convés à proa. Quando o sol aperta monta-se um bimini que cobre o cockpit. Na proa para levantar o ferro encontra-se um guincho elétrico de 800 Watt. Mais equipamento Cranchi: Sistema de distribuição de água do cais - Mangueira - Alarme acústico e luminoso para água no fundo - Âncora

Armário cozinha/bar


Náutica

uma cozinha e um frigorífico que fica logo ao lado. Na coberta inferior o Cranchi Z35 permite dois casais passarem confortavelmente as noites abrigados do vento e do frio, ou do calor pois tem ar condicionado, tomar banho, jantar e dormir. O piloto é outro benefi-

ciado por comandar o Cranchi Z35, porque tem banco largo porque é duplo, com duas posições de condução, em baixo ou em cima, que lhe dá excelente posição de condução. Como barco está completamente equipado em electrónica, incluindo os comandos electrónicos do

motor e porque dispõe de direcção hidráulica, conduz com extrema suavidade o barco, sem esforço e em segurança. O Cranchi Z35 estava equipado com 2 x Volvo Penta D4-260 de 260 HP cada um. Devido às características

Performances Zodiac N-ZO 680

Banco à entrada da cabina Bruce 15kg - Carregador de baterias automático 35 Ah 3 saídas - Corrente 50 metros 8 mm - Manta anti-fogo Flaps Volvo Penta -- Bomba de água - Porta-defensas à proa com capacidade para 6 defensas - Ligação shore power 32 Ah com cabo - Redes mosquiteiras - Depósito de águas negras - Hélice de proa com extintor automático - Gerador 3,5KW - Capa de cockpit -- Anti-vegetativa cor preta - Personalização móvel interior lacado - Personalização almofadas exteriores Silvertex - Pintura casco, deck completo e roll bar - Preparação e entrega – Transporte de fábrica. Elevado conforto e prazer permanente Quando se entra num iate para passar férias, um fimde-semana ou apenas navegar nele umas horas, é fundamental que nele se sinta o bem-estar, o prazer dado pelas acomodações e a alegria de horas de diversão. E para que isso aconteça é preciso que o iate tenha tudo o que pode dar satisfação. O cockpit do Cranchi Z35 é um salão no exterior que oferece cómodos bancos, mesa e porta-copos, para se viver horas de convívio a comer e beber, servidos por

Tempo para planar

1,59 segundos

Aceleração às 5000

17,8 nós - 4,31 segundos

Velocidade máxima

36,3 nós – 6000 rpm

Velocidade de cruzeiro Velocidade mínima a planar

Cranchi Z35

33 nós - 3500 rpm 19/20 nós - 2500 rpm

9 nós – 2800 rpm

2000 rpm

9 nós - 1500 rpm 12 nós

2500 rpm

20 nós

3000 rpm

11,3 nós

27 nós

3500 rpm

15 nós

33 nós

4000 rpm

21 mós

4500 rpm

24,5 nós

5000 rpm

28,5 nós

5500 rpm

32,5 nós

6000 rpm

36,3 nós

Características Técnicas Comprimento total

Zodiac N-ZO 680

Cranchi Z35

6,80 m

11,70 m

Comprimento do casco

9,99 m

Boca

2,54 m

Dimensões interiores

1,30 m x 5,82 m

3,53 m

Diâmetro do tubo

0,60 m

Câmaras de ar

6

Peso

1.080 Kg

7.250 kg (com motores)

Lotação

14

12

Carga máxima

1.480 Kg

1.140 Kg

Depósito àgua doce

40 L (opcional)

190 L

Depósito combustível

240 L

600 L

Potência máxima

200 HP

Motor em teste

Suzuki DF 200

2 x Volvo Penta D4-260

Categotia CE

B/C

B

Preço base do conjunto

58 500€ + IVA

Preço base unidade testada

62 631€ + IVA

A partir de 256 500€ + IVA

Importadores/Concessionário Porti Nauta Grupo Angel Pilot Complexo dos Estaleiros Navais, Lote E - 8400 - 278 Parchal – Lagoa - PortimãoEst Telm: 91 799 98 70 - info@angelpilot.com - www.angelpilot.com Moteo Portugal, SA Rua João Francisco do Casal, S/N, 3800-264 Aveiro Tel: 234300760, geral@veiculoscasal.pt, http://www.suzuki.pt 2018 Junho 378

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Náutica

O casco em V com planos laterais de estabilidade e robaletes

Salão na cabina

Cama no quarto à proa 26

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do casco à popa, quando testámos a velocidade mínima a planar, o barco navegou apenas a 9 nós às 1500 rpm. Acelerámos até às 3500 rpm e atingimos a velocidade máxima de 33 nós. Neste barco o mais importante, quanto às performance, é a velocidade de cruzeiro, com a qual em viagem conseguimos maior economia de consumo e percorremos distâncias razoáveis. A velocidade que

obtivemos foi de 19/20 nós às 2500 rpm. O tipo de casco clássico em V, com planos laterais de estabilidade e robaletes, ofereceu um desempenho muito confortável e seguro que se verifica bem a curvar. O Cranchi Z35, com os dois motores de 260 HP, estava com a potência recomendada pelo estaleiro e consideramos que está bem motorizado e de forma a atingir no mar velocidades acima dos 30 nós.

Espaço das refeições no salão


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Náutica

Notícias GROW

GROW nomeada importador oficial TOHATSU Marine para Espanha

A

GROW Produtos de Força Portugal, actualmente responsável pela importação das Marcas Honda Marine e Tohatsu Marine para o território Português, foi nomeada Importadora da Marca Tohatsu também para Espanha, actividade que irá iniciar já a partir de dia 1 de Junho.

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Esta nomeação que muito orgulha a GROW enquanto empresa de capitais 100% Portugueses, deve-se ao reconhecimento do excelente trabalho desenvolvido no mercado Nacional, o que permitiu relançar e recuperar a notoriedade da marca em tempo record.

A Tohatsu possui actualmente no Mercado Espanhol, uma Rede de 90 Concessionários que cobre todo o Território Nacional, e que permitirá a continuidade de uma estreita relação com a Marca. A GROW, irá assegurar o acompanhamento da Marca em Espanha, através de uma presença directa de

uma força de vendas dedicada a este Mercado. Aproveitamos esta novidade, para dar a conhecer a nova denominação comercial e fiscal da GROW, que a partir de 1 de Junho passará a GROW Iberia. Este novo nome, pretende reflectir o nosso empenho na internacionalização do nosso projecto e, também facilitar a comunicação com os parceiros e Clientes Espanhóis.


Notícias do Mar

Economia do Mar

Ministra do Mar Distinguida pela China como Embaixadora Global dos Oceanos Ana Paula Vitorino é a primeira personalidade Mundial a ser reconhecida como Embaixadora Global dos Oceanos

A

Ministra do Mar de Portugal, foi no passado dia 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos, distinguida com o prémio de “Embaixadora Global dos Oceanos”, um reconhecimento de prestígio internacional atribuído pela State Oceanic Administration (SOA), da República Popular da China. A distinção atribuída a Ana Paula Vitorino ganha ainda maior relevo tendo em consideração que esta é a primeira vez que o SOA nomeia uma personalidade à escala mundial, reconhecendo o trabalho realizado pela Ministra do Mar de Portugal em defesa dos Oceanos. A distinção de “Embaixador Global dos Oceanos” reconhece personalidades internacionais que promovam cooperações de grande importância em matérias relacionadas com o mar – com a China e com outras nações oceânicas – e no desenvolvimento da causa global dos Oceanos. Com esta distinção, a SOA enaltece ainda o pa-

Ana Paula Vitorino Embaixadora Global dos Oceanos pel central e impulsionador de Ana Paula Vitorino no estreitar de relações entre Portugal e China, visível por exemplo no estabelecimento do “China-Portugal Blue Partnership”, assinado em 2016. O prémio foi entregue à Ministra do Mar no âmbito das comemorações do Dia Mundial dos Oceanos, que a China assinala a 8 de Junho em Zhoushan, uma ilha na Província de Zhejiang e

onde se localiza o maior porto do mundo: o Porto de Ningbo-Zhoushan.   Balanço do “China-Portugal Blue Partnership” Ainda durante esta sextafeira, a Ministra do Mar reuniu com o Administrador da SOA, Wang Hong, onde foi feito um balanço do Plano de Ação do “China-Portugal Blue Partnership”, assinado em novembro de 2017,

na China. Ministra do Mar abriu Fórum Ocean Space Planning No âmbito do Dia Mundial dos Oceanos da China, Ana Paula Vitorino ainda presença na cerimónia de abertura do Ocean Space Planning Forum. O certame foi organizado pela SOA – State Oceanic Administration, da República Popular da China.

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Notícias do Mar

Tagus Vivan

Crónica Carlos Salgado

Que Tejo Temos, Que Tejo Queremos Ter?

O Congresso do Tejo, o terceiro, que estava previsto realizar-se dez anos após o anterior que teve lugar em Outubro de 2006 e foi apoiado pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Administração do Porto de Lisboa que voltou a apoiar o último recente de 2018, devido ao

facto de logo a partir do início da sua preparação terem surgido uma série de contrariedades devido a uma série contínua de eleições de órgãos políticos, das legislativas, aurárquicas e presidenciais, que não permitiram que o Ciclo de Conferências Regionais preparatórias,

nas quais se procurou encontrar, com validade actual, as matérias mais substantivas para levar a debate no novo Congresso, não permitiram que ele tivesse sido concluído no tempo previsto, para além de outros problemas que surgiram à última da hora que estiveram na

origem de que este evento só se conseguisse realizar mais de ano e meio depois do previsto, MAS VALEU A PENA! Pela palavra de ordem elegida logo à partida de “MAS TEJO, MAIS FUTURO”. Um Compromisso Nacional pode-se antever que o programa temático dos

Nuria Henriquez-Mora (RSP) e Prof. Luis Veiga da Cunha 30

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Notícias do Mar

trabalhos deste Congresso do Tejo, o terceiro, seria mais abrangente e exigia um conhecimento técnico e científico bastante elevado para ser abordado pelos melhores especialistas nas matérias seleccionadas e debatidas com a participação de uma massa crítica bem informada e qualificada, não populista, e foi isso que acabou por acontecer, para no final conseguirmos ter uma ideia o mais precisa sobre “ QUE TEJO TEMOS E QUE TEJO DEVEMOS TER” para que tenhamos MAIS TEJO, MAIS FUTURO, para deixarmos às gerações vindouras, em boa consciência, sem recorrer a manobras de diversão para aparecer nos tablóides, apenas sobre parcelas do extenso corredor fluvial

Nuria Hernandez-Mora (FNCA-ESP) comunicando, Prof. Joaquim Poças Martins (FEUP/UP), Prof. Francisco Nunes Correia, moderador da Mesa do Tejo nacional. Procurámos logo desde o início que este Congresso fosse de sinal “MAIS”, por sabermos que o sinal Mais, que corresponde até

a “Pensar Grande”, é um sinal de desen­volvimento, de progresso, de benefício, de valor acres­centado, de algo

melhor ou de alavancar algo, porque o MAIS é uma mensagem mobilizadora de vontades, de mudança, de

Nuria Hernandez-Mora na sua intervenção

Prof. Pedro Serra (Consultor)

Mesa da Conferência, da esq.» dir. – Prof. Joaquim Poças Martins, Prof. Francisco Nunes Correia, Nuria Hernandez-Mora e Prof. Pedro Serra

Debate 2018 Junho 378

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Notícias do Mar

inovação, de transformação para me­lhor, de união de esforços, alimentadora de diálogos e consensos, de estabelecer pontes, de obviar rupturas, de desafios para a imple­mentação de melhores es­tratégias para corrigir, criar, arriscar, empreender, acrescentar valor en­fim, tudo aquilo que possa concorrer positivamente para melhorar e enriquecer o nosso Tejo, MAIS TEJO, para além de procurar des­ cobrir o rumo certo para

Mesa da Sessão de Encerramento – dir. » esq. – Prof. Miguel Azevedo Coutinho (Relator e Com. Organizadora)), António Carmona Rodrigues (Com. Organizadora), Prof. Francisco Nunes Correia (Presidente do Congresso), Eng.ª Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, Dr.ª Lídia Sequeira (Presidente da APL), Carlos Salgado (Com. Organizadora) e Eng.º João Soromenho Rocha (Relator e Com. Organizadora)

Carlos Salgado dando as Boas Vindas à Ministra do Mar, saudando os colegas da Mesa e os congressistas presentes. 32

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que ele tenha um futuro melhor, MAIS FUTURO. Todos estes ingredientes podem contribuir, por certo, para mu­dar o Tejo para me­lhor desde que usa­dos com conta, peso e medida, sob uma orientação com rigor, com a finalidade de definir e interpretar melhor a realidade do Tejo, para ficarmos a saber o “QUE FAZER DELE” para o que devemos à partida considerá-lo como um produto de qualidade a preservar, com as suas características intrínsecas e os seus atributos e po­tencialidades, cuja fórmu­la é composta pelos mais variados componentes que intervêm no sistema de uma forma quer vertical, quer transversal. NAVEGAR É PRECISO Escolhemos para abordar na nossa crónica deste mês uma das componentes, entre muitas outras, que nos levam a reconhecer que desde que o nosso Tejo deixou de ser a principal via in­t erior de comunicação do país, o maior eixo identitário desde a sua fundação, uma estrada segura para as trocas comerciais desde a Antiguidade até meados do século pas­ sado, hoje bloqueada, e com muito menos água, viu

Prof. António Carmona Rodrigues lendo a proposta da Carta de Lisboa


Notícias do Mar

as populações ribeirinhas a voltarem-lhe as costas e deixou de ser vigiado diariamente, e por isso sofreu vicissitudes cau­sadas por agentes pouco escrupulosos e foi esque­cido e desaproveitado pe­los sucessivos governos como recurso potencial gerador de riqueza e do desenvolvimento econó­mico, o que os países mais desenvolvidos da Europa não prescindiram de aproveitar para criarem mais riqueza e qualidade de vida das populações ribeirinhas dos seus rios e dos canais que foram construídos propositadamente para o efeito, conseguindo com essa política fazer o descongestionamento mais fácil, mais seguro, mais económico e mais amigo do ambiente, dos portos de mar, das cidades e das vias rodoviárias com a vantagem reduzir significativamente o congestionamento de trânsito dessas vias e de reduzir também o número de acidentes, muitos deles mortais. NAVEGAR É PRECISO, e hoje em dia já dispomos de técnicas avançadas e eficazes, por processos muito mas baratos do que a construção de auto-estradas ou de pontes, para viabilizar a navegabilidade no nosso Tejo, o português. ACONSELHAMOS OS PREZADOS LEITORES A CONSULTAREM O PROJECTO TEJO, um projecto de princípio que pode dar um contributo muito válido para “O TEJO QUE QUEREMOS E DEVEMOS TER!!!, na recente apresentação que está a ser efectuada junto dos diversos parceiros relacionados com o Tejo pelo seu autor Jorge Froes que o criou para corres-

A Ministra do Mar, Eng.ª Ana Paula Vitorino dirigindo a palavra aos organizadores e aos congressistas. ponder ao desafio que lhe foi feito pelos irmãos Campilho da Quinta da Agualva de Cima, em Alpiarça. Como prometemos no NM de Maio vamos concluir neste jornal o relato dos últimos trabalhos deste Congresso do Tejo, sobre a Conferência do Tejo, um rio Luso Espanhol, a Sessão de Encerramento e o Tejo de Honra e confraternização dos Congressistas.

O Prof. Francisco Nunes Correia, Presidente do Congresso, fazendo uma avaliação global dos trabalhos do Congresso, que considerou de elevada qualidade graças aos temas e à superior qualidade dos comunicadores e também à valiosa massa crítica constituída pelos restantes participantes que valorizaram bastante os debates dos painéis, concluindo com regozijo, o facto do principal desígnio deste evento ter sido alcançado e cumprido.

Imagens do Tejo de Honra e confraternização dos Congressistas. 2018 Junho 378

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Notícias do Mar

Voo do Guarda-Rios

O Que Fazer Deste Tejo?...

O Guarda Rios (GR) costuma, regra geral, falar do Tejo abertamente, prestandose a ser polémico, mas fá-lo porque sabe o que diz e duvida que hajam muitos que conheçam hoje e desde os anos sessenta do século passado, tão bem como ele todo o corredor fluvial luso-espanhol do nosso maior Rio desde a nascente em Albarracín em Espanha até desaguar no oceano Atlântico em Portugal. Eis o motivo pelo qual ele acredita que o novo Projecto Tejo proposto por Jorge Froes, como proposta de princípio, pode contribuir para a revitalização e autosuficiência do Tejo que corre em Portugal, o que pode até equivaler a uma afirmação da soberania do Estado Português.

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Navegação fluvial de turistas 34

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ra bem, como o GR é um defensor persistente da navegabilidade do Tejo desde há muito, para que possa viabilizar o transporte das mercadorias, pessoas e bens por via fluvial, tem vindo a defender neste jornal as vantagens deste transporte como um contributo muito válido para o crescimento económico do nosso país, o que aliás aconteceu desde da sua fundação, porque a navegabilidade do Tejo neste território favoreceu a criação e o desenvolvimento de im­portantes portos que deram origem a grandes cen-


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tros urbanos como Lisboa, San­tarém e Abrantes entre ou­tros, que desempenharam um papel relevante na histó­ria marítimo fluvial de Portugal. Desde tempos remotos que uma multidão de barcos com os cascos de variadas formas e tamanhos fizeram o transporte de mercado­ rias, pessoas e bens numa labuta constante, rio abaixo, rio acima e entre margens, que enchiam o Tejo de ve­ las multicolores. O Tejo era um rio Vivo e Vivido e as populações ribeirinhas ti­nham com ele uma grande intimidade, porque ele fazia parte das suas vidas. O estuário estava pejado de embarca­ ções e nos cais a labuta era árdua e intensa e sobretudo na era dos Descobrimentos Portugueses, nos séculos séc. XV e XVI, Lisboa foi o

porto da Europa com maior movimento, des­taque e riqueza. O progresso, com a chegada do cominho de ferro e sobretudo quando surgiu posteriormente o transporte rodoviário, contribuíu para que o transporte fluvial fosse menos utilizado até à sua quase extinção, o que não sucedeu nos países de­ senvolvidos da Europa que continuam a utilizá-lo com um comprovado benefício económico e ambiental, que contribui para descongestionar dos portos de mar levando as merca­dorias ao interior dos paí­ses, e criando mais empresas e empregos. O Tejo Português, Independente, é a Solução! O transporte fluvial, para além de ser nos dias de hoje

Desportos náuticos, vela e canoagem. consideravelmente mais económico e muito menos poluidor do que o rodoviário é, por essa razão que o GR insiste em continuar a falar neste assunto porque, como diz o povo “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. A própria União Europeia reconhece actu­ almente as vantagens des-

te tipo de transporte por vias navegáveis interiores ao ponto de criar incentivos aos estados membros para o seu incre­mento, por considerar que ele presta um contributo significativo para o encaminhando das mercadorias dos portos para o interior no que é bastante mais económico do ponto de vista energéti-

Várias modalidades de navegação turística, de lazer e desportiva 2018 Junho 378

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Notícias do Mar

Turismo náutico embarcado co e contribui para os objectivos de uma economia hipocarbónica definidos no Livro Branco sobre a política europeia de transportes. A ex­ploração de todo o potencial do transporte por vias navegáveis interiores, pode vir a ser um elo fundamental para a resolução do congestionamento e dos pro­blemas ambientais causados pelo escoamento de mercadorias importadas através dos portos marítimos da Europa e também, como é necessária a moder­ nização da frota fluvial e da sua adaptação ao progresso tecnológico para a melhoria

do desempenho ambiental das embarcações e o desenvolvimento, entre outras vertentes, de navios adaptados a este tipo de navegação para que ela seja sustentável, salvaguardando as vantagens competitivas deste meio de transporte, tendo em consideração também que os problemas causados pela crise económica que afectou significativamente a indústria da construção naval ela encontra-se numa situação económica difícil. Para além disso, como a es­trutura do sector do transporte fluvial na Europa se baseia em larga escala em PMEs, elas foram também

Tradicional Cruzeiro do Tejo de Alhandra a Salvaterra ou a Valada particularmente vulneráveis à crise. A EU convida os EstadosMem­bros a prosseguirem com a definição de estratégias nacionais tendentes a estimular o trans­porte por vias navegáveis inte­riores que tenham em conta o programa de acção europeu e a incentivarem as autoridades regionais, locais e portuárias a desenvolver actividades no mesmo sentido, prioritariamente. O Tejo Português Auto-Suficiente, é a Solução ! Mas como o GR sabe que tanto a EPAL como os

As barcas de passagem entre margens devem ser reactivadas, também para fins Turísticos. 36

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agricultores beneficiários da água do baixo Tejo temem que qualquer dragagem que se faça no rio para viabilizar a navegabilidade mais para montante pode contribuir para que a língua salina suba ainda mais, mas este novo Projecto Tejo, cujo principal desígnio é o de garantir que o Tejo português seja auto-suficiente, ou melhor, que possa criar e manter as reservas de água no corredor fluvial suficientes para satisfazer todos os tipos de utilização e quantidades de consumo necessário da água doce com qualidade, e inclusivamente também para que a navegação comercial, turística, de lazer e desportiva possa voltar a ser uma realidade desde Lisboa até Abrantes, por via da construção de açudes, e particularmente aqueles que estão previstos para a Ponta da Erva, Vila Franca de Xira e Valada do Ribatejo, vão impedir garantidamente que a água doce vinda de montante não possa ser contaminada pela língua salina, água essa necessária ao consumo dos referidos beneficiários e do consumo das populações, com a vantagem de levar essa água doce também à região do Oeste e à Península de Setúbal.


Notícias do Mar

Tagus Vivan

Texto João Soromenho Rocha

Conclusões do Congresso do Tejo III

A TAGUS VIVAN tomou a iniciativa de promover a realização do Congresso do Tejo III, precedido de um Ciclo de Conferências Preparatórias, que decorreram desde Novembro de 2015, nove anos depois da realização do II Congresso do Tejo. Mais uma vez foi considerado que era chegada a altura oportuna para dar a conhecer ao país o Tejo real com os seus problemas, as suas carências e as suas potencialidades. Verificouse que a Administração Central foi eliminando, durante os últimos anos, a anterior política de reformas importantes para uma moderna e eficiente gestão de recursos hídricos, invocando a crise económica que se instalou, que alarmou e penalizou a Sociedade Civil. As Conferências Preparatórias do Congresso do Tejo III tiveram como objectivo principal cobrir regionalmente o Rio Tejo, enquanto que o Congresso teve como objectivo principal cobrir o Rio Tejo de uma forma temática global. De montante para jusante as Conferências Preparatórias foram designadas res-

pectivamente como: Alto Tejo Português e Tejo Internacional (em Vila Velha de Ródão) Médio Tejo, Sustentabilidade do Rio Tejo (em Vila Nova da Barquinha) Lezíria do Tejo, Sustentabilidade do Rio Tejo e Políticas de Desenvolvimento (em Samora Correia) Navegabilidade do Tejo (em Vila Franca de Xira) Estuário do Tejo (em Vila Franca de Xira) Embora cobrindo regionalmente o Rio Tejo, pelo facto de em cada troço haver uma predominância de uns aspectos em relação aos outros, verifica-se que os vários temas regionais, também estiveram presentes no Congresso, sendo por esse motivo elaborardas umas conclusões únicas, abrangendo as Conferências Preparatórias e o Congresso propriamente dito. Quer nas Conferências Preparatórias, quer no Congresso, a TAGUS VIVAN teve a preocupação de convidar os oradores pertencentes a entidades públicas e privadas, conhecedoras da utilização do Rio Tejo, cidadãos, políticos, técnicos e cientistas. Na elaboração das Con-

clusões e Recomendações deste Congresso foram tidas em consideração todas as comunicações apresentadas, bem como as informações que os promotores do Congresso do Tejo III tiveram acesso, pela sua experiência directa e contactos informais com as mais variadas pessoas conhecedoras do Rio Tejo. Estas Conclusões, em sequência as Recomendações constituem um conjunto alargado de propostas objectivas e oportunas apresentadas de uma forma hierarquizada pela sua emergência, importância, pertinência, oportunidade, inovação e impacto para servirem de orientação, apontar caminhos e medidas correctivas a tomar, propondo até algumas soluções. Seguindo este raciocínio, foi adoptada a matriz das Conclusões do II Congresso do Tejo, isto é, é feita uma relação de alguns princípios que são considerados fundamentais, tendo como matriz base o desenvolvimento do Tejo com a envolvência social e económica do seu vale. O diagnóstico do rio Tejo deve ter por base aspectos técnicos e de conhecimentos dos fenó-

menos fluviais, dos recursos naturais, dos recursos económicos e da sociedade. As medidas de acção e desenvolvimento terão de integrar o preconizado na Directiva Quadro da Água, e outros documentos legais, nacionais, europeus e internacionais, e incluir parcerias entre cidadãos, associações, entidades privadas e entidades públicas. O ciclo de conferências, de índole regional, mas também temática, permitiu analisar a realidade actual do rio Tejo, da água, da sua utilização, das dificuldades e das possibilidades, permitindo preparar o Congresso do Tejo III.

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Notícias do Mar

O Tejo a Pé

Texto e Fotografia Carlos Cupeto

Lourinhã, a Oeste o melhor

A paz num domingo de manhã no centro de Reguengo.

H A beleza desta terra é tanta que a data altura tivemos uma achega para o compreender.

Sim, isto é aqui, a poucos quilómetros. 38

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á muito que caminhamos por cá, esta boa terra da Lourinhã nunca nos enganou, é também de boa gente. Em maio andámos na freguesia de Reguengo Grande, sobretudo no magnífico Planalto das Cezaredas. Quem não conhece vá já. Os calcários têm magia. Acresce que fomos acompanhados por gente da terra

profundamente conhecedora – junta de freguesia e câmara municipal. Antes de tudo, no centro da terra, esperava-nos o primeiro contacto com a Reguengueira (pastelaria Natinhas do Céu), a maçã reineta única no mundo, descoberta pelo Marquês de Pombal e “criada” pelo terroir desta santa terra – desengane-se quem pensa que terroir é só para

Lugares com muito romantismo.


Notícias do Mar

cepas e vinho. Terra de morros, vento e água só podia dar em moinhos e isso constatámos. Facilmente nos transportámos para tempos em que o cereal e a farinha davam riqueza a esta terra. Com alguns quilómetros nas pernas, depois de bonitas paisagens e histórias, regressámos a Re-

guengo onde, num soberbo segredo, nos esperava um fabuloso almoço com produtos da terra. Mas, como sabemos, a Lourinhã é terra de dinossauros, como todo o Oeste; de tarde, quem quis, visitou o novíssimo Dino Parque, um caso de sucesso muito para além das hordas de turistas no Chiado.

O cenário que nos acolheu ao almoço fala por si, um segredo (Quinta do Viso).

Farinhas Grosso, a identidade deste lugar é indiscritível, só vivida.

Dino Parque, grande parte da história da Terra ao alcance de todos. 2018 Junho 378

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Electrónica

Novidades Nautel

Finalmente Solução Equilibrada

para as Baterias de Lítio nas Embarcações As vantagens das baterias de lítio sobre as baterias convencionais são bem conhecidas.

S

ão superiores em todos os níveis - todos as querem…No entanto, até agora instalá-las em veículos, ou barcos, não era tão simples e exigia conhecimento especializado. Isto porque estas baterias têm um padrão muito próprio no que às curvas de carga/descarga diz respeito, e o menor cuidado no seu uso poderia resultar em danos caros. A falha em operar dentro desses parâmetros específicos reduziria também a capacidade de desempenho e a vida útil da bateria. As coisas ficaram agora mais fáceis com as novas baterias da STERLING. A incorporação dum módulo especial (BMS da AMPS) cria um sistema de segurança que desligará a bateria em caso de uso indevido. Com a simples adição 40

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de um carregador bateria a bateria da Sterling, ao alternador, o correto perfil de tensão e corrente serão fornecidos à bateria da embarcação/veículo. Isto significa que, quando a tensão do alternador for baixa, o carregador bateria a bateria aumenta a tensão e quando a tensão (V) do alternador está muito alta, acontece o contrário. E o mesmo acontece para as Correntes (A). Principais vantagens no desempenho e noutras facetas: Uma bateria de Lítio de, por exemplo, 100Ah permite acesso total ao 100Ah de capacidade, em oposição ao normal em baterias de ácido de 100Ah que realisticamente só permitem acesso a 50% - cerca de 50Ah, na

média da sua vida útil. Portanto, obtem-se o equivalente a 2 x 100Ah de baterias convencionais para uma de Lítio. Peso da bateria: O tamanho e peso de uma bateria de lítio são cerca de metade das de ácido. No entanto, como na realidade a capacidade utilizável é o dobro, uma bateria de lítio é cerca de 1/4 mais leve, na relação da capacidade/energia com o peso. As vantagens estendem-

se à duração das baterias onde estudos comprovam que a vida das baterias de Lítio podem ser 20 vezes superiores às de AGM. A Sterling é mais uma marca presente no mercado português há mais de 20 anos, distribuída pela NAUTEL. Só por si este facto já atesta a qualidade dos seus produtos, a constante adaptação com inovações etc. Os seus outros produtos são: Carregadores de bateria AC (110/220VAC a 12, 24, 36 ou 48VDC), carregadores de bateria DC/DC (12VDC a 12, 24, 36, 48VDC), carregadores bateria a bataria, inversores de todos os tipos, sistema de carregamento de viaturas elétricas etc.


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Pesca Desportiva

Aventuras de Pesca

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho

Pesca ao robalo grande, na Nazaré Nada tenho contra o sr padre Búzio Pároco da freguesia de Barrio, concelho de Alcobaça, foi seguramente uma pessoa ímpar para todos aqueles que contribuíram com donativos para erigir o seu busto de bronze.

picada. Protesto e discordo em absoluto é que não seja dado o mesmo tratamento ao meu amigo Mário Lopes! O Mário não tem uma aldeia com o seu nome, não tem uma rua com o seu nome, nem tem sequer uma estátua no Sítio da Nazaré…ainda. Está desprezado! Mas merece ter e vai ter! Se o Garrett McNamara tem uma estátua só por ter descido uma onda empoleirado numa tábua de engomar, então o que merece o Mário Lopes por me ter convidado a mim e ao meu inseparável Gustavo Garcia para irmos aos robalos gigantes das pedras da Nazaré?! Um convite destes é de amigo, é de quem gosta de receber em sua casa, no seu mar. É de quem nos quer bem e gosta de nos ver felizes. Venha de lá a estátua para o moço!

Os grandes robalos da Nazaré

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erecida homenagem a um homem que muito terá feito pela sua terra. Não 42

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tive o prazer de o conhecer pessoalmente, mas é minha forte convicção de que teríamos feito grandes pescarias

de robalos juntos. A ajuda divina de um padre nunca será demais nestas coisas de ferrar uns peixes renitentes na

Fomos em peregrinação aos robalões Penso que o Mário, quando nos disse que o tempo iria estar bom, o mar calmo, a água com visibilidade, vento fraco de não levantar do chão uma pena de cú de galinha, estava convicto de que seria mesmo assim. Nós, na nossa santa inocência, fomos direitos à Nazaré como quem vai em peregrinação a Fátima, com fé, na mira dos robalões que levam fio, partem linhas e põem à prova os nossos nervos e habilidade de pescadores. Passámos as duas dezenas de portagens com um sorriso nos lábios, com o barco se-


Pesca Desportiva

Mar aparentemente bom. mi-rígido atrelado ao carro, uma remessa de caixas de esferovite para trazer o peixe, catorze canas de pesca amarradas com elásticos, e três malas cheias de amostras infalíveis. A rampa da Nazaré é indiscutivelmente boa, é larga e está desimpedida. Ficaria perfeita com um guincho eléctrico prático, maneirinho, para descer e subir o barco. Ou até manual, a exemplo daquilo que é corrente nos Açores. Bom e barato! Depois de uma hora a lutar contra a chapa de matrícula, os cabos, as cintas do atrelado e de andarmos a fazer ski nos limos verdes, o barco foi à água. Ao passar a Pedra do Guelhim para norte, levámos um soco no estômago: as ondas rebentavam muito longe da praia, impossibilitando encostar às pedras que o Mário tão bem conhece. Pensei para mim: mas o fim do mundo não era para ser só na próxima segundafeira? Olhei para o Mário, desalentado. Ele mergulha, faz caça submarina, e é um mocinho encorpado. Teve azar: casou com a Sara que cozinha muito bem. Do alto dos seus 120 quilos, nem precisa de lastro para afundar, basta-lhe um capacete de mota integral para proteger a cabeça dos impactos

nas rochas do fundo. Ex atleta de competição, tem no seu curriculum uma resma de robalos grandes com mais peças que a Colecção Berardo. Respondeu-me: “as previsões eram para mar chão, mas em média está um pouco acima de 3 metros”… Pelos vistos os robalos estavam desmotivados Penso que ele próprio reconhece que aquilo era motivo para administração imediata de uma injecção letal. Aquela coisa da eutanásia assistida, neste caso aplicada em série, a ele e aos artistas do Windguru, por ordem de chegada à seringa. Tentámos pôr em prática algumas técnicas de pesca conforme vem nos livros, …sendo que o resultado foram meia dúzia de sardas e cavalas. Havia peixe debaixo do barco, mas pelos vistos os robalos estavam desmotivados com o serviço, ou a banhos para o Cartaxo. Disse para os meus colegas: hoje é dia de comermos um magnífico jantar de peixe. Latas de atum. Com umas marcas de pedras na cota dos 40 metros, fomos tentar salvar o dia a pescar ao fundo, com isca,

Gustavo Garcia e Mário Lopes: dois velhacos! longe da costa. Na circunstância, aquilo era mesmo o melhor que se podia fazer mas confesso que preferia tentar ganhar a vida a pescar bogas numa baía abrigada. Entraram alguns carapaus do alto, fanecas do baixo, umas quantas sarguetas curtas e um besugo de dimensões épicas.

Com o pessoal do sul já a gritar ao Gregório, o Mário bebia cervejas Super Bock em série, atacadas com sandes de presunto. Todavia, o mar cresceu mesmo demasiado, a âncora terá desgarrado da rocha, o peixe desapareceu e resolvemos voltar a terra. Mais escama menos escama, a pescaria

O saudoso Padre Búzio. 2018 Junho 378

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Pesca Desportiva

Mário Lopes na sua faina estava feita. Para não ficar por lá perdido na espuma, o Gustavo Garcia benzeu-se, apertou bem o colete salvavidas e firmou-se bem com

os dentes ao varão de inox da consola. Aparecemos no porto da Nazaré com um baldinho de peixe, mas também com uma série de contusões

Carapaus de bom tamanho. e hematomas inexplicáveis. Um mar revolto daqueles faz pior ao nosso corpinho do que qualquer rapariga italiana de 30 anos, morena,

Este companheiro pesa o peixe que desferra, sem o ver. 44

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assanhada e sedenta de folia. Não será muito diferente estar dentro do tambor de uma máquina de lavar. Mas levámos uma sova tremenda Era opinião generalizada de que tinha sido um grande azar o mar estar tão alto, porque sentíamos que o peixe estava lá, a sonda marcava cardumes a meia água e junto ao fundo. Para o Garcia, a pesca correu bem. Segundo ele, se não é necessário chamar a Policia Marítima pelo VHF para fazer um daqueles resgates em condições difíceis, se não somos içados de helicóptero e aparecemos nas notícias do telejornal, a coisa corre …bem. Mas levámos uma sova tremenda, e a protecção do porto de abrigo soube indiscutivelmente a uma entrada num SPA. Para andarmos no meio daquela espumarada aos pulos e cabeçadas, com


Pesca Desportiva

resultados tão fracos, mais vale arranjar duas viúvas ricas e fazer-lhes manutenção. Sempre se lhes pode exigir uma renda mensal. Uma pescaria daquelas é um horror, desanima o mais aficionado. Mais triste, como costumo dizer, só chorando aos gritos. No dia seguinte, o Mário prometeu-nos um dia melhor, até às 13 horas. A partir daí, as coisas iriam “aquecer”, com vento de 40 nós. A rapaziada é crente. Todos nós acreditamos na irmã Lúcia e nos 3 pastorinhos e às seis da manhã já estávamos a pé. A pesca tem um horário religioso: começa cedo e acaba quando Deus quiser. Pequeno-almoço com meia dúzia de nêsperas do quintal, e aí vão eles, prontos para a guerra com os robalos. Nazaré, 7.00 AM: uma ventania de morrer. Olhei para o Mário e ele olhou para mim, com aquele olhar de quem sabe o que está do outro lado da falésia. Fui ver o mar. Eles gostam sempre que seja eu a ir ver o mar. Vaga cavada, espuma longe da costa, cristas das ondas a partir…percebi de imediato que não ia dar. A Pedra do Leme aparecia e desaparecia, submersa na vaga. Eu tenho um sexto sentido para estas coisas de não pôr o pé na água quando não vale a pena. Fazendo as artes marciais parte do meu curriculum técnico, tomei a decisão, enchi o peito de ar e avancei sem medos direito aos meus dois companheiros. Quando os robalos não picam o melhor é pescar rãs à linha Rapazes, sei que tinham grandes expectativas e que

se levantaram de madrugada para vir pescar, mas… isto está lixado. Não vamos! Desânimo geral. O meu amigo Mário, por não demonstrar arrependimento sobre as suas fracas previsões meteorológicas, foi logo ali condenado a duas prisões perpétuas consecutivas. Caminhámos até ao molhe junto à praia, onde estavam a pescar uns quantos atletas à bóia, ao sargo e a tudo. Canas de 5 metros, oxigenador para camarão vivo, tiagem, minhoca branca, a mesa estava posta. Resultados nulos, pese embora um deles nos tenha dito que lhe tinha fugido um sargo de quilo e meio, mas que não chegou a ver porque desferrou. Olhavam uns para os outros à espera de um sinal, que teimava em não chegar. Nesta coisa da pesca de muralha, penso que a única forma forma de garantir picadas sucessivas é excomungar o mau-olhado, fazendo uma benzedura de água com azeite. Saímos dali e fomos tomar um café a uma sociedade recreativa. Reuniu-se o comité de crise, e foi decidido que iriamos pescar para o mato, com as canas de Light Rock Fishing. Há valas de rega com água doce, junto aos pomares. A ideia era ir pescar rãs à linha, algo corrente e habitual na Nazaré quando os robalos não picam. Posso dar-vos uma descrição pormenorizada do equipamento utilizado, afinal eu estou aqui é para vos ensinar a fazer estas coisas: Cana Daiwa Infeet de acção 1-7 gramas, carreto PENN Clash 2500 com 250 metros de linha trançada J- Braid de 0.06mm e chicote em nylon de 0.20mm. Não foi necessário em circunstância alguma dar linha aos bichos, mas convém estar preparado para tudo, dei-

O pesqueiro! xar a embraiagem um pouco solta, porque nunca se sabe se aparece um sapo grande que arranque com o anzol cravado pela vala fora. Este é um tipo de pesca específica que não vale a pena fazer embarcada, pesca-se da margem. Como amostra, utilizei cabeçotes de 5 gramas e vinis da Savage na cor

rosa e madrepérola. Notei uma preferência generalizada por esta última, embora tenha tido bastantes picadas com a Sandeel Slug Savage rosa. Se não resultar, podem sempre recorrer a uma iscada de linguiça assada no álcool. Se não fosse eu a dizer-vos isto, não sabiam. Isto de ensinar a pescar é

Pesca à amostra nas valas. 2018 Junho 378

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Pesca Desportiva

À falta de robalos grandes….

Estilo contorcionista. 46

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arte e deve ser reconhecido como tal. Basicamente, a técnica mais simples consiste em lançar para cima da rã, que numa primeira fase mergulha e se afasta esbaforida, mas depois de algumas subidas e descidas, à conta da falta de ar, volta à superfície e já encara com melhores olhos a questão da picada. Tivemos muitos casos de picada dupla, em que se lançavam várias ao mesmo tempo sobre a amostra, o que quer dizer que há possibilidades de utilização de baixadas de vários anzóis ou mesmo anzóis triplos. Com alguma subtileza, pode fazer-se passar a amostra à frente dos olhos da rã durante alguns segundos, imitar uma mosca ou uma libelinha e provocar a picada. Não bandear a isca mais do que dez vezes à frente dos olhos dos bichos, porque os batráquios podem ficar hipnotizados. Isto é muito técnico. As rãs ficam a olhar para a isca

com os mesmos olhos vidrados das mulheres que param em frente às montras das lojas da Louis Vuitton para ver malas e sapatos. E lançamse. As rãs e as miúdas. Não precisam de me agradecer estas dicas. Estes cursos de pesca por correspondência que vos dou não estão sujeitos a receita médica e são gratuitos. No entanto, se não obtiverem resultados e em caso de dúvida ou persistência dos sintomas de falta de picadas, é virem à GO Fishing fazer um curso intensivo de pesca à rã. De resto, os workshops da GO Fishing estão a ficar famosos. O último que fizemos, sobre a pesca ao peixe-agulha pequeno com iscada de bifanas de Vendas Novas, esteve animado. Houve troca de tiros entre as primeiras filas da audiência, tendo o orador ficado ferido com um projéctil no céu-daboca. vitor@gofishing.pt

Do melhor que se pode ver…grande robalo: 8.5 kgs


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Electrónica

Notícias Nautiradar

FUSION Revoluciona o Entretenimento Áudio Marítimo com Nova Gama APOLLO A FUSION, fabricante de renome de Sistemas de Entretenimento Áudio, apresentou os revolucionários Sistemas de Entretenimento Marítimo RA770 e SRX400 da inovadora gama APOLLO. Baseada na reconhecida filosofia de design True-Marine da FUSION, a nova gama Apollo vai mudar para sempre o rosto do entretenimento marítimo e definir um novo padrão pelo qual todos os outros se regerão.

O

sistema RA770 da FUSION é o rosto da nova gama Apollo, representando o melhor do design criativo e génio tecnológico. Sendo o primeiro sistema de entretenimento marítimo no mundo com um display tátil todo em vidro, reprodução Wi-Fi integrada, Tecnologia de Processamento de Sinal Digital (DSP) e capacidades PartyBus, o RA770 eleva o entretenimento áudio marítimo a um novo patamar. Com um ecrã brilhante, oticamente selado e LCD a cores, o ecrã tátil do RA770 torna a localização do botão de função uma coisa do passado. Os utilizadores terão apenas de tocar no ecrã para pausar, reproduzir ou deslizar o dedo no ecrã para encontrar a sua música favo48

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rita na lista de reprodução. O display elegante do RA770 integra-se na perfeição nas modernas consolas de navegação com acabamentos em vidro, tornando-se assim uma adição bastante atraente. A Gama Apollo da FUSION inclui ainda o sistema SRX400, que oferece um conjunto de funcionalidades verdadeiramente potentes num formato compacto e versátil. Tal como o RA770, o SRX400 possui a capacidade de transmissão Wi-Fi, DSP e funcionalidade PartyBus. “Por muitos anos, os nossos sistemas de som definiram o padrão do entretenimento áudio marítimo”, afirma Chris Baird, Diretor Geral da FUSION Entertainment. “Apesar de ter existido sempre a ca-

pacidade de acrescentar funcionalidades, ninguém criou ainda um sistema como este, capaz de mudar o paradigma neste campo. Após ouvirmos os nossos clientes e examinarmos de perto as tendências e inovações noutras indústrias como a dos ecrãs táteis e consolas de navegação todo-em-vidro, soubemos que tinha chegado a altura de mudar tudo. Estamos muito contentes em apresentar a gama Apollo ao mundo.” Para atingir o auge na qualidade de som, a gama Apollo recorre ao potente Processamento de Sinal Digital (DSP) da FUSION, oferecendo áudio da mais elevada qualidade, a todos os altifalantes e em qualquer ambiente. A abordagem

deste sistema da FUSION garante que todo o sistema áudio seja otimizado para fornecer uma experiencia de som superior, sem que haja a necessidade de qualquer conhecimento técnico por parte dos utilizadores. A definição de perfis DSP é tornada simples com a app gratuita FUSION-Link. Com apenas poucos cliques, os utilizadores poderão definir um perfil DSP pré-configurado, para reproduzir áudio personalizado de elevada qualidade para os seus ouvidos e ambiente específico. Curvas de sonoridade precisamente calculadas e otimizadas para o ouvido humano garantem uma qualidade de áudio elevada, em qualquer nível de volume, garantindo qualidade e completo alcance de som, quer o volume esteja no máximo ou no mínimo. A PartyBus é a rede de distribuição áudio FUSION do futuro. Concebida para todos os que valorizam a liberdade de escolha musical, para ouvir o que querem e onde querem, a PartyBus oferece aos utilizadores o poder de controlar toda a festa a bordo ou simplesmente descontrair numa cabine, independentemente das preferências de outros utilizadores a bordo. O poder da PartyBus revela-se quando os utilizadores adicionam mais sistemas com capacidade PartyBus ao seu sistema de entretenimento a bordo. Cada unidade PartyBus adicional permite a opção


Electrónica

“Party Mode” (modo festa) e a reprodução em simultâneo da mesma fonte de áudio em toda a embarcação. Os utilizadores podem ainda optar pelo Modo Pessoal e ouvir música a partir de qualquer fonte disponível na sua zona de eleição, sem interromper o “Modo de Festa” noutras zonas da embarcação. Oferecendo mais opções de fonte do que antes, o Apollo RA770 disponibiliza aos utilizadores a capacidade de reproduzir a sua música favorita via Buetooth, Áudio Ótico (TV), funcionalidades avançadas SiriusXM (disponível apenas nos EUA),

rádio digital (DAB+, disponível na Europa e Austrália), rádio AM/FM, AUX e USB. O primeiro rádio Wi-Fi do mundo permite aos utilizadores a transmissão de música a partir de um aparelho media móvel através de conectividade Universal Plug and Play (UPnP), garantindo uma transmissão de áudio da mais elevada qualidade existente. Com Wi-Fi integrado, os sistemas de entretenimento da gama Apollo podem ainda conectar-se entre si, sem que haja a necessidade de ligações de cabos, reduzindo custo, tempo e complexidade de instalação.

O Apollo RA770 e o SRX400 possuem um display de 4.3” e 2.7” respetivamente; possuem proteção IPX7 resistente a pó e protegendo o painel frontal de água, quando instalado corretamente; e incluem um amplificador interno Classe-D. O RA770 possui duas entradas RCA auxiliares, uma porta SPDIF para saída de áudio para TV, uma porta Ethernet, uma porta USB 2.0 para carga de telefone e reprodução de media, uma porta SiriusXM, um conector de antena Motorola e está preparado para DAB+. O SRX400 possui uma porta Ethernet e uma porta conectora de antena Motoro-

la. Ambos os equipamentos oferecem suporte multi idioma e incluem definições em Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Holandês e Italiano. Enquanto líder de sistemas de entretenimento lifestyle, a FUSION dedica-se a soluções inovadoras que melhoram o tempo de lazer, seja na água ou na estrada. A FUSION fabrica produtos que excedem os padrões regulamentares graças às mais recentes tecnologias. Para mais informações sobre a nova gama Apollo, por favor visite o site www. nautiradar.pt ou contacte o distribuidor Nautiradar através do telefone 21 300 50 50.

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Electrónica

Notícias Nautiradar

FUSION Apresenta Novo PANEL-STEREO, a Solução de Entretenimento “TUDO-EM-UM” Fabricante líder no setor de entretenimento áudio marítimo, a FUSION apresenta a sua poderosa solução Plug & Play, com transmissão Bluetooth, o novo PainelEstéreo. Concebido com propósito de utilização em autocaravanas e no ambiente marítimo, o Painel-Estéreo surge como a derradeira solução de entretenimento áudio “tudo-em-um”.

O

Painel-Estéreo combinando todos os elementos necessários para uma excelente reprodução de áudio – amplificação Classe-D, Processamento de Sinal Digital (DSP), dois altifalantes de 3”, um radiador passivo base, tudo no interior de uma estrutura otimizada. Apresentando várias opções de fonte de áudio como rádio AM/FM, USB, AUX e transmissão Bluetooth, a liberdade de controlo via a App gratuita FUSION-Link, uma reprodução de som excecional e opções de instalação flexíveis, o Painel-Estéreo surge como mais uma incrível solução de áudio da FUSION. “A qualidade do entretenimento áudio foi sempre influenciada pelas limitações de espaço e potência”, afirma Chris Baird, Diretor Geral da FUSION. “Com o lançamento do Painel-Estéreo, a FUSION oferece aos navegadores um sistema de entretenimento áudio potente e durável, integrado numa 50

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estrutura compacta para uma instalação simples e libertando-os das limitações de sistemas de som tradicionais.” O novo Painel-Estéreo permite aos navegadores desfrutarem de flexibilidade de controlo áudio em qualquer lugar a bordo, via Bluetooth, a partir de um aparelho Apple ou android com a App gratuita FUSION-Link. Os utilizadores podem também capacitar o controlo da unidade através de um smartwatch Garmin com a Tecnologia ANT, oferecendo a liberdade de escolha de onde ou quando controlam o entretenimento áudio a bordo. O controlo do Painel-Estéreo também é possível diretamente a partir da sua frente, graças a informação sonora associada à função selecionada, para guiar o utilizador através da alteração de estações, fontes e definições pré configuradas. Notificações multi-idioma incluem Inglês, Francês, Alemão, Holandês, Italiano, Japonês, Mandarim e Espanhol.

Apresentando três opções de instalação para garantir os requisitos de qualquer instalação, o Painel-Estéreo é um produto extremamente versátil. Concebido para instalação em superfície, com o espaçador opcional de 43mm, o Painel-Estéreo pode ser instalado diretamente em qualquer superfície, sem que seja necessário qualquer furação. A profundidade mínima também o torna ideal para instalação em cavidades pouco profundas em parede, com um simples corte, onde altifalantes padrão não cabem. Estão disponíveis opções de instalação

embutida e de superfície para um acabamento premium. O Processamento de Sinal Digital (DSP) da FUSION otimiza o áudio para produzir uma experiência de som superior. No interior, os altifalantes de 3” do Painel-Estéreo e um radiador de graves de grande superfície perfeitamente ajustado à caixa, fornecem consistentemente uma reprodução eficiente de áudio de alta-fidelidade com uma frequência de resposta incrivelmente suave. Necessitando apenas de conexões AM/FM, terra e alimentação de 12V DC, o Painel-Estéreo foi desenhado para uma instalação rápida e simples, para garantir uma solução para uma verdadeira experiência de áudio Plug & Play. O Painel-Estéreo possui um nível de proteção IP65, resistente à água e pó, garantindo uma enorme segurança em qualquer instalação. PVP: 467,00€ Para mais informações sobre este novo produto da FUSION, por favor visite o site www.nautiradar.pt ou contacte através do 21 300 50 50.


Electrónica

Novidades Nautiradar

Raymarine Apresenta Novo Módulo de Sonda CHIRP 3D de Elevado Desempenho RVX1000 É com bastante entusiasmo que a Raymarine anuncia o lançamento do novo módulo de sonda CHIRP 3D de Elevado Desempenho RVX1000.

O

RVX1000 é uma solução módulo de sonda versátil para pescadores costeiros e pescadores de alto mar, oferecendo todas as características e desempenho de sonda dos displays Axiom Pro, numa “caixa-negra” remotamente instalada. Os 5 canais do módulo de sonda RVX1000 oferecem em simultâneo RealVision 3D, CHIRP SideVision e DownVision, CHIRP de alta frequência e CHIRP de 1kW de elevada potência, para pescadores que pesquem a grandes, médias e poucas profundidades. Características do RVX1000: - Sonda de 5 canais com RealVision 3D, CHIRP DownVision, CHIRP SideVision, CHIRP de alta frequência, CHIRP de 1kW de alta potência - RealVision 3D com GPS Track - Função Scroll Back – volte atrás, pause e reproduza o histórico de sonda gravado - Tecnologia de amplificação TrueZoom da Raymarine - Giro estabilização Real-

Vision 3D compensa o movimento da embarcação, apresentando imagens 3D super realistas - Conexões duplas de transdutor que suportam transdutores RealVision 3D e Airmar de 1kW - Processador “quad core” ultra rápido apresenta imagens de sonda 3D espantosas em simultâneo com os canais de sonda CHIRP, DownVision e SideVision sem atrasos ou lentidão. - O módulo de sonda CHIRP 3D RVX1000 é compatível com todos os Displays Multifunções dotados do Sistema Operativo LightHouse 3, versão 3.4 ou superior.

& Série gS O módulo de sonda CHIRP 3D RVX1000 é também uma excelente opção de melhoramento para os utilizadores dos displays multifunções Série eS & Série gS da Raymarine, sendo que apenas necessitam da versão mais

recente do sistema operativo LightHouse 3 para que o sistema esteja pronto a utilizar o módulo RVX1000 Para mais informações sobre este novo produto da Raymarine, por favor visite o site www.nautiradar.pt ou contacte através do 21 300 50 50.

Atualização 3D para Displays Multifunções da Série eS

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Electrónica

Noticias Nautiradar

A FLIR Apresenta Nova Antena Aberta de Radar da Raymarine de Elevado Desempenho: A Magnum

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FLIR apresenta a sua primeira Antena Aberta de Radar de elevado desempenho, para embarcações de pesca e de cruzeiro, a Magnum da Raymarine. Possuindo muitas das tecnolo-

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gias de radar utilizadas pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, a antena aberta de radar Magnum oferece um rastreio melhorado de alvos, desempenho fiável e uma imagem superiormente detalhada. Tudo isto integra-

do num pedestal compacto, capaz de resistir ao exigente ambiente marítimo. Esta nova antena de radar, Magnum, disponibiliza um modo automático avançado de pássaros que dá aos navegadores a capacidade de visualizar pássaros com uma maior precisão e a distâncias até 10 milhas náuticas, sendo por isso capaz de auxiliar os pescadores a localizar mais facilmente e rapidamente os cardumes de peixe e isco, e por consequência, poupar combustível. A antena aberta de radar Magnum possui ainda a tecnologia de feixe, da Raymarine, bem definido para uma separação de alvos mais detalhada, detalhe

da costa tal como um mapa e um desempenho superior em longas distâncias. Adicionalmente, a função de deteção automática MARPA da antena de radar Magnum, oferece um rastreio de alvos mais fiável e preciso, contribuindo para uma maior confiança e paz de espírito dos navegadores em águas com muito tráfego marítimo. Os modelos da nova gama de Antenas Abertas de Radar Magnum estarão disponíveis durante o segundo trimestre de 2018. Para mais informações, consulte www.raymarine.com/ magnum ou www.nautiradar.pt


Notícias do Mar

Ambiente

Lançamento da Área Marinha Protegida das Avencas Cerca de 2 quilómetros de litoral no concelho de Cascais passaram, no passado dia 22 de Maio, para a gestão do município.

A

Área Marinha Protegida das Avencas já existia como Zona de Interesse Biofísico das Avencas e localiza-se entre as praias de São Pedro do Estoril e da Parede, contando com cerca de 137 espécies de interesse, entre peixes, algas e invertebrados. Trata-se da primeira Área Marinha Protegida com gestão local, a cargo da Câmara Municipal de Cascais, passando a fiscalização a ser efectuada pela Policia Municipal de Cascais. Em São Pedro do Estoril, junto à praia, encontra-se o Centro Ambiental da Pedra do Sal, onde as escolas realizam frequentes visitas. Após uma discussão pública, foram criadas novas regras para a defesa deste meio marinho. No que respeita aos barcos a motor a navegarem na zona, bem como qualquer barco meter a âncora no fundo, mantem-se a proibição. A apanha de moluscos continua totalmente proibida e a pesca profissional também, no entanto vão ser permitidas outras atividades que eram anteriormente proibidas e agoram passam a ser permitidas de forma condicionada.

Visita ao Centro Ambiental da Pedra do Sal Uma delas é a pesca submarina que passa a ser permitida porque se verificou que não provoca grande impacto a sua actividade na fauna marinha; portanto, pode haver pesca submarina mas com o limite de apenas até 7,500 quilos por dia, que é metade daquilo que permite a legislação nacional. Toda a importância desta Área Marinha pode ser apreciada durante a baixa-mar, quando toda a vida marinha se revela, podendo ser feitos passeios a pé, agora de forma organizada.

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Pesca Desportiva

Pesca Embarcada

Texto e Fotografia: Carlos Abreu/Mundo da Pesca

Pargos à chumbadinha

10 Regras de Ouro!

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Pesca Desportiva

Para quem ainda nunca ouviu falar desta técnica que fabrica pargos aqui deixamos um bom guia explicativo. É certo que a técnica ainda cria alguns anticorpos a quem ouve a explicação de como se faz ou mesmo para quem assiste pela primeira vez. Uma coisa é certa: quando bem executada, são pargos na certa…e grandes!

S

e pensa que se trata de uma pesca feita à rola, à deriva, está redondamente

enganado: a pesca à chumbadinha faz-se com o barco fundeado…sempre! Lógico que é preciso ter

um bom mestre na embarcação pois a colocação do barco é meio caminho andado para uma boa pesca de

pargos. O seu conhecimento das aguagens, tipo de fundo e forma como se fundeia são fundamentais para se con-

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Pesca Desportiva

pargos não pode desistir. Insista do princípio ao fim e não mude a pesca pois eles acabarão por entrar…afinal, tanta sardinha no fundo vai chamá-los longe graças à aguagem.

1 – Cana e carreto

2 – Linha e “trabalho” da pesca 56

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seguir apresentar a pesca corretamente. Mas isto não deve estar a ajudá-lo… Pois bem, a pesca à chumbadinha faz-se com o barco fundeado, tentando – regra geral – aproveitar uma aguagem que corra preferencialmente no sentido do vento. A montagem é simples e deve ser lançada no sentido dessa aguagem/ vento, sendo constituída por uma chumbada de bola furada que bate no anzol, tal como se fosse uma tradicional pesca de chumbadinha que fazemos de costa. O detalhe é que os pesos são quase idênticos e chega-se a pescar com 50 gramas em 100 metros de profundidade, assim as condições o permitam. O objetivo é apanhar pargos e para o efeito usam-se linhas fortes e anzóis grandes pois as iscadas convém serem “generosas”. Mas vamos analisar os pontos-chave da técnica para que da próxima vez embarque com a garantia de ter a lição bem estudada. E não se esqueça: se é para tentar apanhar

1 – Cana e carreto Esta é logo a questão que muitos pescadores colocam quando alguém os convida para uma saída de pesca aos pargos à chumbadinha. Questões como “será que se tem de comprar uma cana nova?”, “que tipo de cana servirá melhor?” ou “será que a minha cana de pesca de barco serve?”, são habituais e mais do que lógicas. Já correu moda e inclusive já se fizeram algumas canas de propósito para a técnica mas deixem que vos diga que uma cana de spinning de três metros serve na perfeição; permite lançar uma chumbadinha até 80, 90 gramas, é sensível o suficiente para sentir o peixe a comer


Pesca Desportiva

e tem o poder necessário de ferragem que precisamos para cravar o anzol na dura boca de um pargo. Também existem versões económicas de canas telescópicas muito interessantes de pesca ao buldo ou chumbadinha de costa e que servem o mesmo propósito. Para acompanhar sugiro um carreto possante, com bom drag e de pequeno tamanho para que seja leve e agradável de pescar o dia todo; algo entre o 4000 e o 6000 e que permita uma capacidade de 250 metros de 0,23mm. 2 – Linha e “trabalho” da pesca Se imaginarmos que pescamos a 90, 100 metros de fundo e tendo em conta que ainda lançamos alguns metros mais, só aí já temos bem mais de 150 metros de linha fora do carreto. Por isso 250 metros de linha no carreto são mais do que suficiente. Há quem opte

por monofilamento, alguns até por diâmetros finos, na casa do 0,30mm, mas não recomendo pois será que vale a pena ferrar 10 peixes e só tirar dois ou três? A meu ver é preferível ferrar três e tirar três! Prefiro um multifilamento na casa do 0,23mm no qual coloco uma ponteira em nylon ou fluorocarbono entre o 0,435 e o 0,60mm, sempre com um comprimento nunca inferior a 10 metros. E porquê? Para cumprir o objetivo da pesca à chumbadinha, a isca ir procurar o peixe ao sabor da aguagem e este comer sem sentir prisões. Além disso, havendo um nó entre o mono e o multifilamento, serve de batente e saberemos que, mesmo que não passe o furo, teremos sempre esses tais 10 metros entre a chumbada e a iscada. Pescando direto, com monofilamento, resolvemos o problema mas temos mais deriva, mais água a pegar na linha.

3 – Chumbadas 2018 Junho 378

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Pesca Desportiva

serve para descrever o tamanho das iscadas e dos anzóis. Para iscar uma sardinha inteira, sem cabeça e barbatana caudal, um filete de cavala fresca, um ferrado de polvo, um caranguejo grande ou uma lulinha inteira recomendo um anzol nunca abaixo do 3/0 ou 4/0, dando preferência por vezes ao 5/0 e 6/0. Por vezes, e sempre que uso iscadas ainda maiores (como sardinhas ou cavalas muito grandes) e preciso de aumentar o poder de ferragem, uso dois anzóis. A preferência de quem faz esta pesca são anzóis robustos, de olhal, com uma boa abertura e excelente afiagem. De referir que, para além dos iscos referidos, o camarão inteiro, com cabeça, pode ser uma 3 – Chumbadas Quanto às chumbadas não tem nada que saber: chumbadas redondas e furadas entre as 50 e os 100 gramas, no máximo. Não se esqueça que pode apanhar

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um dia com uma aguagem boa, outro dia com aguagem a mais e outro com aguagem a menos. Há que prevenir isso pescando mais leve quanto menos intensa for a aguagem ou aumentar

o peso se tivermos mais dificuldade em perceber se a pesca chegou ao fundo. 4 – Iscadas e anzóis Grandes é a palavra que


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boa opção, mas não há nada que bata as primeiras alternativas, recomendando apenas que a sardinha fresca seja gorda ou em alternativa congelada pois só há sardinha fresca gorda em alguns (poucos) meses do ano. O mesmo princípio se aplica às lulinhas e quanto ao camarão congelado basta referir que a variante selvagem é sempre melhor. Se for para o mar abasteça-se em terra e leve, no mínimo, três a quatro quilos e não se esqueça que uma sardinha é uma iscada! Se puder levar também iscos alternativos tanto melhor pois há alturas em que, das duas uma, ou os pargos não querem sardinha, ou querem e os outros peixes também, danificando as iscadas.

4 – Iscadas e anzóis

7 – Ação de pesca 2018 Junho 378

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Pesca Desportiva

8 – Calma: deixe o peixe comer

5 – Como funciona esta pesca A propósito do que expliquei e de acordo com aquilo que me é dado a entender, esta pesca SÓ FUNCIONA se houver corrente, aguagem. Esta pesca faz-se lançando no sentido da mesma, o mais longe que pudermos e o que acontece é que na queda da chumbadinha e iscada, como o volume da última é superior ao da chumbada, esta vai cair sempre primeiro que o isco e, logicamente, quando a pesca chega ao fundo, é a chumbada que toca primeiro no fundo e só depois a iscada. Esta vai ficar afastada da chumbada pois ainda vai ser arrastada uns metros pela aguagem, dependendo da intensidade da mesma. A nossa pesca será tão mais sensível quanto a chumbada ficar da isca. Chamo a atenção para as situações em que não há aguagem: a isca tem tendência a ficar para trás durante a descida e a tendência é vir à linha do carreto, enleando tudo bem acima da chum-

9 – Embraiagem: não facilite 60

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bada. Quando há corrente nunca há enleios… 6 – Estará no fundo? Esta é a maior dúvida, mesmo para os que já fazem esta pesca há mais tempo. Só traquejo pode dar-nos garantias mas há algumas sugestões, cada uma mais indicada para os gostos de cada um. Se não houver nenhum fator anormal, depois de lançar, colocamos a cana na horizontal e esperamos que a linha pare de sair do carreto, sinal de que a chumbada já está no fundo. Caso haja vento ou muita aguagem que fazem com que a linha saia mesmo depois de bater no fundo por arraste da mesma, opte por usar linha que muda de cor a cada 10 metros e, por conhecimento da profundidade, ter uma ideia aproximada de se a chumbada está ou não no fundo e pode usar por exemplo nós na linha de 50 em 50 metros para saber


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Pesca Desportiva

“onde é que está a pesca”. Em alternativa, e para minimizar o erro de sair linha a mais e perder sensibilidade, pressione ligeiramente a linha com os dedos enquanto a pesca vai para baixo. Se suspeita que a chumbada já está no fundo confirme levantando a cana num movimento enérgico para confirmar e sentir de novo a chumbada a bater no fundo. 7 – Ação de pesca Outra coisa delicada e confusa para muitos. Depois de chegada a pesca ao fundo sentimos ao fim de um bocado a pesca a esticar, parece que a pedir que se dê linha. Isso é a aguagem a puxar a linha e a isca e não um sinal de que a chumbada está acima do fundo ou que esteja a bater no anzol. Podemos eventualmente dar dois ou três metros de linha mas não convém repetir a

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operação em demasia pois quanto mais fora do barco estivermos a pescar menos contacto temos com a pesca. A partir daí é só ir sentido o fundo, tentando perceber os peixes a comer e evitar esticar a pesca de maneira a que a isca não encoste à chumbada. Atendendo à sua volumetria, é a iscada que é arrastada pela aguagem e chega a estar alguns bons metros afastada da chumbada, sendo esta apenas um veículo para levar o isco até ao fundo…isto quando chega ao fundo pois há dias em que os pargos nem isso deixam! 8 – Calma: deixe o peixe comer O pargo é diferente do peixe-miúdo a comer e até pode comer de formas diferentes: ou mordiscando ou engolindo de uma vez. Varia muito mas não tem nada a

ver com aquela forma de comer típica de peixe mais pequeno, com toques francos e mais nervosos. O importante é que deixe o pargo comer, abrindo nessa altura a asa de cesto para que engula sem sentir prisões e, mal veja a linha a sair da bobine mais depressa ou sinta o peixe a “carregar” deve fechar de imediato a asa de cesto e ferrar energicamente. 9 – Embraiagem: não facilite Se há coisa que tem dado mau resultado são as embraiagens abertas, havendo quem exagere a pontos da própria bobine ficar quase solta! Não facilite e deixe o mínimo de embraiagem aberto pois as linhas que sugeri são mais do que suficientes e por maior que o seu pargo seja a cana não vai partir. Se o carreto estiver

aberto, aí sim, o peixe arranca, vai tomar balanço, vai roçar a linha nas pedras para se tentar soltar e certamente irá partir ou soltar-se. Afine mas com bom senso… 10 – O que deve levar sempre! Se vem apenas para apanhar pargos à chumbadinha não traga outro material que não o apenas indispensável para esta pesca. Na minha opinião e para não haver tentações, nem sequer a cana de ponteirinhas, montagens ou chumbadas da pesca fundeada deviam constar na caixa de material de quem quer apenas pargos, pargos grandes. Traga apenas linha forte, anzóis grandes e robustos, linha de atar a isca, algumas chumbadinhas e uma boa geleira. Não complique e “programe-se” para ser teimoso e seletivo.


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Desportos Aquáticos

Taça do Mundo de Maratona 2018

Texto e Fotografia João Rocha

Centro do Mundo da Canoagem em Viana do Castelo

Entre os dias 25 e 27 de Maio de 2018 a cidade de Viana do Castelo, em Portugal , foi o centro do mundo da canoagem. Entre essas datas, decorreu a ICF Marathon World Cup 2018, organização conjunta da Federação Internacional de Canoagem (ICF), Federação Portuguesa de Canoagem (FPC) e o Município de Viana do Castelo.

E

ste evento aglutinou a Taça do Mundo de Maratona e a Taça do Mundo de Maratona de Masters a que a federação nacional aditou a Taça de Portugal de Maratona. A Taça do Mundo incluiu várias distâncias, a mais curta de 3.60 Km e a mais longa de 29.80 Km, sendo que o percurso curto não 66

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tem tradição no calendário nacional. As embarcações utilizadas foram kayaks K1 e K2 e canoas C1 e C2. A prova contou com a presença de 16 países e 465 atletas, masculinos e femininos. Em termos etários participaram juniores, seniores e veteranos, utilizando os termos empregues pela FPC, tal significou estar em prova

um largo espectro etário. Maratona A maratona é uma competição em distância que remonta as suas origens a 1929, em Espanha, e 1948 no Reino Unido, só em 1975 é que este tipo de prova vem a ser reconhecida pela ICF. O percurso que pode ir até 30 km, inclui portagens que obrigam os participantes

a transportar a embarcação por um percurso terrestre até a colocarem, de novo, no meio aquático. As embarcações reconhecidas na prova são as canoas (C) e os Kayaks (K) que podem ser tripuladas por um elemento (C1 e K1) ou dois elementos (C2 e K2). A maratona é uma disciplina da canoagem muito exigente física e tecnicamente,


Desportos Aquáticos

rias decorreram no dia 25 de Maio, sendo que as finais ocorreram no dia seguinte, sendo levadas a efeito as “short race”, de 3,60 km, as quais revelaram uma diversidade de países no primeiro lugar do pódio, com especial relevância de Portugal, assim: K1 júnior feminino GB; K1 júnior masculino IRL; C1 júnior feminino POR (Ana Rodrigues); C1 júnior masculino POR (Leonardo Vicente); K1 sénior masculino POR (José Ramalho); K1 sénior feminino HUN; C1 sénior feminino UKR; C1 sénior masculino ESP. Ainda no dia 26 teve lugar a Taça Mundial de Masters, com 19 Km, abrangendo atletas a partir de 35 anos de idade, divididos em escalões de 5 em 5 anos até

perfazer 70 anos de idade que marca o escalão mais elevado, sem idade máxima. Com uma centena de participantes, as provas de Masters foram muito disputadas tendo revelado nos escalões masculinos uma supremacia evidente dos atletas portugueses, assim: nos 8 pódios de K1, Portugal obteve 6 primeiros lugares, sendo que nos pódios de 40/44 e 60/64 foram os três lugares ocupados por Portugal, deixando competidores estrangeiros fora do pódio; os dois pódios não ocupados no 1.º lugar por lusos pertenceram a Espanha. Também em C1 Master masculino, Portugal ocupou o 1.º lugar em três dos quatro pódios, sendo o remanescente ocupado por

Espanha. Em Masters femininos, K1, todos os quatro pódios tiveram o 1.º lugar para atletas de Espanha. No dia 27 de Maio decorreram as restantes provas da Taça do Mundo. Assim em Juniores: K1 feminino (19 Km) GB; K1 masculino (22,60 km) IRL; C1 feminino (11,80 km) POR (Ana Rodrigues); C1 masculino (19 km) POR (Leonardo Vicente). Em sénior: C1 feminino (15.40 Km) UKR; C1 masculino (26,20 km) HUN, sendo que Portugal ocupou neste pódio os 2.º e 3.º lugar (Rui Lacerda e Nuno Barros, respectivamente); K1 feminino (26.20 km) HUN; K1 masculino (29.80 km) POR (José Ramalho). Na Taça de Portugal de

Partida sénior feminina. constituindo um espectáculo muito apelativo para o público devido à acção, colorido e aparato cénico que a prova sempre envolve. As provas O início da competição foi antecedido por um animado desfile das várias representações nas principais ruas de Viana do Castelo. A estrutura física de apoio foi sediada na Praia do Prior, em Viana do Castelo, sendo nesse local que se desenrolaram todas as partidas e chegadas das várias provas da Taça. As primeiras eliminató-

Acção na prova de Masters. 2018 Junho 378

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Desportos Aquáticos

Portagem na prova de séniores. Maratona o Clube vencedor foi Clube Naval de Ponte de Lima. O cortejo das classificações revela a prevalência dos clubes do norte sobre os do centro e do sul, seja em que escalão etário for. Balanço final Quanto à organização da prova, apesar da chuva no primeiro dia, o vento do li-

toral norte de Portugal e as correntes do rio Lima, foi opinião unânime dos participantes a excelência da organização, tendo a ICF transmitido o seu contentamento e desejo de novos eventos de âmbito mundial em Portugal. A dinâmica das provas decorreu sem percalços significativos, respeitando horá-

rios, tanto das provas como da entrega dos prémios aos vencedores. A beleza natural do local, o colorido do evento e a acção característica desta modalidade concitou a atenção do público, pouco habituado a um evento de tal magnitude. Como prova mundial, a categoria dos atletas é a melhor do mundo nesta discipli-

na da canoagem e, por ser o topo dos atletas mundiais, assume particular relevo o desempenho dos atletas portugueses. Tanto no escalão Júnior como no Sénior e nos Masters, Portugal alcançou de forma expressiva lugares cimeiros e cumpre reconhecer que o valor luso não é apenas de um ou outro atleta

Portagem no feminino. 68

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Desportos Aquáticos

cuja excelência é mundialmente conhecida como seja o caso de José Ramalho, o que torna a representação nacional excepcional é o conjunto de lugares cimeiros em todas as categorias etárias, essa expressão é significativa de um potencial humano inegável. Uma palavra para o excelente resultado obtido pelos Masters masculinos portugueses a revelar que esta modalidade desportiva tem história feita em termos de qualidade e persistência. Bom seria que a FPC adapta-se as categorias de veteranos aos escalões etários internacionais, distinguindo atletas de 55 anos de idade de outros de 65 ou 75 anos de idade, ao invés de os englobar todos numa única categoria (veteranos C), trata-se de uma distinção elementar que a mais simples justiça aconselha. Contrastando com a excelência que se acabou de referir, a quase nula divulgação do evento na comunicação social é, no mínimo, incompreensível. Como é possível que uma Taça do Mundo de Maratona da ICF passe des-

Um dos dois pódios de Masters ganho exclusivamente por portugueses: Tomás Santos, Rui Silva e João Rocha. percebida num país que tem atletas de gabarito mundial e condições de verdadeira excelência para a prática da canoagem. Que cegueira justifica tal omissão? Não só em termos desportivos mas também turísticos é do interesse nacional divulgar este tipo de eventos, não se compreende

que a canoagem nas suas diversas disciplinas, não tenha visibilidade mediática até porque a possibilidade da sua prática numa enorme dispersão geográfica do território nacional, merece uma particular atenção dos responsáveis pela modalidade, do turismo nacional e das entidades municipais.

Terminando com o futuro. O calendário da ICF contempla, ainda este ano, mais duas competições mundiais em Portugal: o Campeonato Mundial de Velocidade, em Agosto, na cidade de Montemor- o –Velho; e, o Campeonato Mundial de Maratona, em Setembro, em Vila Verde.

Pódio masculino Sénior: José Ramalho, Miguel Lorens (ESP) e Adrian Boros (HUN) 2018 Junho 378

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Notícias do Mar

Últimas Porto & Matosinhos Wave Series

Fotográfia Tomane

Irmãos Dantas e Kathleen Barrigão Dominaram a Prova

Kathleen Barrigão

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ela quarta semana consecutiva, o “Porto & Matosinhos Wave Series” atraiu à Praia Internacional os entusiastas dos desportos de ondas. O longboard dominou no dia 12 de Maio com a 2.ª etapa do Circuito Nacional da modalidade, inserida no Log Surf Fest Powered by Mazda, uma competição muito renhida e que bateu recordes no número de atletas inscritos. António Dantas (sub18), João Dantas (open) e Kathleen Barrigão (feminino) foram os vencedores desta etapa regional. As boas condições do mar ditaram o início da prova às 9h30, com

a disputa de 17 baterias. Os 22 atletas de open foram os primeiros a estrearem-se na competição. João Dantas impressionou com uma onda que valeu 7 pontos e conquistou o primeiro lugar com um score de 13.63 pts. João Gama terminou na segunda posição com 10.33 e Sebastião Maia, em terceiro, com 7.87 pts. O quarto ligar ficou reservado para Diogo Gonçalves que somou 6.86 pontos. Nos sub18, António Dantas voltou a dar que falar. O atleta fez a melhor onda da bateria nas finais (6.67 e 5.30) e sagrou-se campeão na sua categoria com 11.97 pontos.

António Dantas

Seguiu-se Nicolau Filipe (11.33), Frederico Mittermayer (9.60) e Maria do Rosário (3.46). Esta segunda etapa contou com uma final direta feminina onde Kathleen Barrigão, campeã nacional da modalidade, dominou desde o início da bateria. A atleta destacou-se das adversárias e obteve as classificações mais altas da bateria, terminando a final no primeiro lugar com 11.23 pontos. Inês de Castro (4.27) e Inês Martins (4.10) foram classificadas em segundo e terceiro lugar, respetivamente, e Maria do Rosário (3.36) e Raquel Bento (2.53) terminaram o heat nas últimas posições.

Os mais pequenos também tiveram a oportunidade de testar as condições do mar com uma aula solidária de surf. O Surf para Todos powered by Activo Bank levou cerca de 16 jovens e crianças da instituição da Obra do Padre Grilo” e do Lar Nossa Senhora da Conceição para a primeira experiência com a modalidade. A Sponsor Village animou o recinto da prova com iniciativas abertas ao público, desde insufláveis e trampolins à degustação de snacks saudáveis. O dia terminou com a Sunset Beach Party Powered by Somersby.

João Dantas

Director: Antero dos Santos – mar.antero@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Rocha, João Zamith, Mundo da Pesca, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing Administração, Redação: Tlm: 91 964 28 00 - noticias.mar@gmail.com

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Notícias do Mar n.º 378  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 378, Junho de 2018.

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Jornal Notícias do Mar Online, n.º 378, Junho de 2018.

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