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A questão tecnológica Para ocupar de fato o papel de liderança na criação e desenvolvimento de um mercado global de biocombustíveis, capitaneado pelo etanol de cana-deaçúcar, o Brasil precisa vencer grandes desafios. E o maior deles está, justamente, na raiz do processo de produção do álcool combustível: como elevar de modo radical a produtividade de nossa lavoura canavieira, para mais do que duplicar nossa produção atual de etanol, sem que isso signifique o aumento desmedido da área plantada com cana, nem a invasão de tradicionais regiões dedicadas ao plantio de alimentos. Na ponta de lança deste esforço tecnocientífico sem precedentes na história do país estão o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Universidade de Campinas (Unicamp), ambos de São Paulo. Graças ao trabalho destas duas instituições, o Brasil ocupa, hoje, a dianteira no desenvolvimento de tecnologias capazes de

Foto: Divulgação UNICA

capacidade de expansão da produção deste combustível renovável, o Brasil apresenta-se com importantes vantagens em um futuro mercado internacional de etanol combustível. A necessidade de importação do etanol combustível por um grupo de países – que representam 71,5% do consumo de gasolina e 51% da produção atual de etanol no mundo – se traduz numa imperdível oportunidade de o Brasil se tornar o principal fornecedor mundial entre 2012 e 2025, com um mercado potencial de quase 20 bilhões de litros de etanol em 2025. Os principais mercados seriam Japão, China e Estados Unidos, diz a pesquisa da Unicamp.

melhorar muito a produtividade alcançada, além de tornarem a colheita mais eficiente, mais segura e menos poluente – inclusive por eliminar as queimadas, um dos pontos mais controversos da cultura canavieira.

Álcool de terceira geração A última palavra em tecnologia canavieira visando o aumento da produtividade é a utilização do bagaço e da palha que sobram após a colheita, que até pouco tempo eram jogados fora e representavam mais uma despesa para os produtores. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, hoje as usinas utilizam parte do bagaço para a co-geração de energia elétrica, o que resulta em redução de custo, pois deixam de comprar a energia de concessionárias. Às vezes, como têm muito ba-

gaço, chegam a vender o excedendo, e aí obtêm lucro. Mas o que está sendo pesquisado, no momento, e que segundo a CTC muitos chamam de “álcool de terceira geração”, é o aproveitamento total do bagaço e da palha através de um processo de hidrólise ácida ou enzimática. Isso deverá estar em uso dentro de cinco ou dez anos, elevando a produção. Outra linha de pesquisa é o desenvolvimento de variedades transgênicas, o que ainda não existe no Brasil. De acordo com estudiosos da Unicamp, a hidrólise (ácida ou enzimática) de materiais ligocelulósicos em geral, e especificamente de bagaço da cana, é uma das melhores alternativas para o aumento de produção de etanol. A consolidação de uma tecnologia de hidrólise no setor sucroalcooleiro trará consigo, TN Petróleo Estudante

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TN Petroleo Guia do Estudante 2008  

Suplento da Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis

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