Page 41

Foto: Keystone

Etanol E

levado à categoria de ‘celebridade energética’ pela disparada dos preços do petróleo e pela necessidade de se desenvolver fontes renováveis de energia diante do risco de exaustão dos combustíveis fósseis, o etanol (álcool derivado da canade-açúcar) é, na verdade, um velho conhecido dos brasileiros. Há 33 anos, mais exatamente no dia 14 de novembro de 1975, como resposta à crise mundial do petróleo que dois anos antes abalara o mundo, e por meio de um decreto presidencial, o Brasil começava a fazer história no setor de biocombustíveis, com o Programa Nacional do Álcool (PróÁlcool), criado com o objetivo de estimular a produção de álcool e reduzir o volume de importação de petróleo. Aos poucos, porém, os preços do petróleo entraram em queda, junto com os benefícios concedidos pelo governo brasileiro para o setor. A este panorama adverso para o processo produtivo em es-

cala comercial, ainda há uma cotação recorde do açúcar no mercado internacional, o que determinou o naufrágio do programa alternativo, até hoje considerado a mais audaciosa iniciativa para substituir a gasolina queimada diariamente por milhões de veículos automotores. Mais de três décadas depois, o Brasil vive uma nova expansão dos canaviais, com o objetivo de oferecer, em grande escala, o combustível alternativo não só para o mercado interno, mas também para a exportação. A principal diferença é que, desta vez, o movimento não é comandado pelo governo, mas por decisão da iniciativa privada, certa de que o álcool terá cada vez mais um papel determinante na matriz energética mundial.

Etanol e cana-de-açúcar Etanol e álcool etílico são sinônimos. Ambos se referem a um tipo de álcool constituído por dois átomos de carbono, cinco átomos

de hidrogênio e um grupo hidroxila. Ao contrário da gasolina, o etanol é uma substância pura, composta por um único tipo de molécula: C2H5OH. Na produção industrial do etanol, o tipo hidratado é o que sai diretamente das colunas de destilação. Para produzir o etanol anidro é necessário utilizar um processo adicional que retira a maior parte da água presente ali. Hoje, cerca de 80% da produção brasileira de etanol se destina ao uso carburante, enquanto 5% vão para uso alimentar, perfumaria e alcoolquímica. Os 15% restantes são exportados. O etanol anidro é utilizado na produção da gasolina C, única que pode ser comercializada no território nacional para abastecimento de veículos automotores. Utiliza-se o etanol hidratado no abastecimento de veículos automotores. É o álcool encontrado nos postos de abastecimento, para os veículos a álcool ou com motor flex-fuel. A cana-de-açúcar é originária da Ásia, e foi trazida ao Brasil por Martim Afonso de Souza, por volta de 1530. De início, o principal pólo de produção nacional foi a região Nordeste. Com o tempo, a cultura foi expandida para outros estados, inclusive São Paulo, que responde hoje por cerca de 60% da safra brasileira. Embora tenha outras aplicações, a cana é empregada como matériaprima para a produção de açúcar e álcool. Três tipos principais de açúcares são produzidos a partir do caldo da cana: o açúcar cristal, açúcar demerara/vhp (very high polarization) e o açúcar refinado (granulado e amorfo), dependendo do mercado. São ainda produzidos o etanol anidro e o etanol hidratado, destinados ao uso TN Petróleo Estudante

39

TN Petroleo Guia do Estudante 2008  

Suplento da Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis

TN Petroleo Guia do Estudante 2008  

Suplento da Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis

Advertisement