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O meu caminho começa no verde profundo, pois não vale ir direto às paredes que contam e escondem estórias, que homenageiam história, que revivem simbologias, que carregam num só plano o ocidente e o oriente, que são complexas redes de memórias das nossas aventuras além do Bojador. Não vale só viver isto. Só as paredes erguidas não nos tornam românticos, não nos fazem ceder, a alma por inteiro, à fantasia, ao sonho. A envolvente, os caminhos a percorrer são, também, cenário de Palácio. Tudo na envolvente corresponde na íntegra aos valores estéticos defendidos na época. Dominada pela agressividade da paisagem de blocos graníticos que me tornam mínima, o horizonte com mar à vista, pela força da expressão da natureza exótica e sobretudo pelo iso-

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lamento: a solidão é estar fundamental do romantismo, fico só. E assim, no topo do ermo penhasco se ergue o encantado Palácio com percursos escondidos pela densa vegetação, com ruínas camufladas por musgo, casas de fantasia que, no caminho, parecem saídas do mundo dos sonhos. A isto se rendeu D. Fernando II, homem apaixonado pelo belo, pela fantasia, pelo mundo onírico. E subo, ziguezagueando sequóias e outros altos verdes. E caminho, mirando sempre no cimo as cores fortes da arquitetura que sei de cor: amarelo, rosa e um violeta azulejar. Sei de cor a sua localização, a sua área, as suas volumetrias e posicionamento no verde monte. Sei, de olhos fechados, onde está o cavaleiro que ao longe, protege arquiteturas encantadas D’El Rei; sei onde está a cruz que alta vai.

Mutante 16  

Zaha Hadid • Adriana Barreto • Bloco 103 • Tiago Mourão • Ana Tecedeiro • Opera House (Austrália) • Made in Portugal • Conserva • Palácio da...

Mutante 16  

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