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Visitei a Ópera de Sydney pela primeira vez em 2008. A Ópera foi um dos poucos edifícios que estudei como aluno de arquitetura, mas que nunca tinha tido o privilégio de analisar in loco. Aguardava ansiosamente por essa experiência. Relembro vividamente a primeira vez que me dirigi à Ópera de Sydney. As “barbatanas” podem ser vistas de bastante longe e são indubitavelmente de uma enorme beleza. Mas, se me permitem a pergunta, sabem que materiais foram empregues na construção dessas “barbatanas”? Confesso que a construção da Ópera de Sydney nunca foi assunto que me preocupasse, até ter tido a oportunidade de a visitar. Também não sabia que a Ópera tinha sido concebida, como projeto, em meados dos anos cinquenta; além disso, estou tão habituado aos processos construtivos contemporâneos, que nunca me passou pela cabeça que as “barbatanas” da Ópera tivessem sido construídas em betão e cobertas com mosaico cerâmico, como as fotos bem ilustram. A primeira coisa que me veio à mente foi “mas que método de construção tão arcaico”, especialmente quando o betão é usado à escala da Ópera de Sydney, o que parece algo insustentável para um arquiteto dos tempos que correm. Estudei as “barbatanas” em pormenor e fui recordando ter visto estruturas de be-

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tão colossais em países sem os conhecimentos e as competências técnicas para construírem edifícios com tal grau de sofisticação. Penso que, se a Ópera tivesse sido construída hoje, se teria sido usado um processo construtivo completamente diferente. No entanto, e apesar da minha estupefação, causada pela grande expetativa que tinha acerca do valor da Ópera de Sydney, como marco arquitetónico, consegui chegar a uma conclusão. Estas “barbatanas” foram, provavelmente, de uma enorme complexidade de construção para época. O que é fascinante reconhecer é que, embora tivéssemos pisado a lua nos anos sessenta, os avanços nos métodos de construção, sendo o Guggenheim de Bilbau um bom exemplo disso, são conquistas arquitetónicas recentes; eu nunca me tinha apercebido de tal, ou sequer pensado nisso, antes de visitar a Ópera de Sydney. Mas há algo mais a dizer sobre as “barbatanas”, extremamente relevante pa-ra a história da arquitetura, que só depois de visitar o edifício é que tomei consciência. Embora o desenho ousado da Ópera de Sydney possa parecer desatualizado para um arquiteto contemporâneo, não nos devemos esquecer que o local abriu as suas portas ao público no ano de 1973. Desde então, a Ópera de Sydney tornou-se num edifí-

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Mutante 16  

Zaha Hadid • Adriana Barreto • Bloco 103 • Tiago Mourão • Ana Tecedeiro • Opera House (Austrália) • Made in Portugal • Conserva • Palácio da...

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